02 de abril de 2020 às 10h18m
Coronavírus: adiar eleições nos EUA é improvável

O avanço vigoroso da pandemia do coronavírus nos EUA fez com que pelo menos 14 estados americanos postergassem suas primárias, levantando especulações sobre a possibilidade de adiamento da eleição geral no país, marcada para 3 de novembro.

Especialistas, no entanto, afirmam que a alteração da data é improvável e que o presidente, nem que quisesse, tem o poder de fazer qualquer modificação no calendário eleitoral por ordem executiva.


Isso porque a data da eleição geral nos EUA é definida por Lei Federal desde 1845. Para alterá-la, seria preciso um processo complexo, com acordo bipartidário – entre democratas e republicanos – no Congresso, o aval do presidente e, por fim, a decisão ainda estaria sujeita a contestações na Justiça. Apesar do impacto direto que a pandemia levou à corrida à Casa Branca, com adiamento de primárias, cancelamento de comícios e a imposição de uma pauta única no país, não parece haver tempo hábil nem vontade política dos dois lados do tabuleiro americano para uma mudança tão brusca como essa.

Instabilidade
Um momento que tem sido lembrado nesses tempos de instabilidade remete a 2004, quando auxiliares do então presidente George W. Bush discutiram a possibilidade de adiar eleições devido à ameaça de ataques terroristas. Segundo o jornal The New York Times, a resposta de Condoleezza Rice, então assessora de segurança nacional, foi definitiva para enterrar os planos. “Fizemos eleições nesse país quando estávamos em guerra, ou mesmo quando estávamos em guerra civil. Devemos ter eleição no prazo estabelecido”.


Mesmo no cenário em que todas as condições sejam atendidas e os tribunais liberem a possível alteração, encontrar uma nova data que seguisse a Constituição americana seria outro grande problema neste ano. A Carta dos Estados Unidos estabelece que o novo Congresso tome posse em 3 de janeiro, e o novo presidente, em 20 de janeiro. Essas datas também não poderiam ser modificadas com alterações simples da lei.


Até agora, pelo menos 14 estados já anunciaram o adiamento de suas primárias, entre eles Geórgia, Kentucky, Ohio, Pensilvânia e Nova York. Ohio e Pensilvânia fazem parte do chamado cinturão da ferrugem, no Meio-Oeste americano, considerado chave para a disputa presidencial deste ano.
Tradicionalmente democrata, a região mudou de lado em 2016 e foi decisiva para a vitória de Trump. Nova York, por sua vez, é um dos mais populosos estados do país e um dos mais atingidos pela pandemia. Nesta terça-feira (31), registrava mais de 75 mil casos confirmados e 1.550 mortes.


Fonte: O Estado

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