25 de março de 2020 às 09h05m
Hotéis fecham temporariamente no Ceará devido à pandemia do coronavírus

Empresários aguardam por decreto do Governo do Estado que diz respeito à cobrança de impostos e tarifas estaduais, como a de ICMS

A paralisia econômica pela contenção de abertura de negócios por causa do coronavírus (Covid-19) começa a produzir mais efeitos na economia do Ceará. Ontem, a rede hoteleira do Estado deu férias coletivas para os funcionários e começou a fechar as portas pelo tempo que durar a crise. Demissões no comércio também já são realizadas.

Um dos maiores hotéis da Capital, o Gran Marquise tornou público que decidiu suspender seus serviços de forma temporária a partir do próximo dia 30 de março. Quem possui reservas neste período poderá remarcar sem custo adicional. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Eliseu Barros, outros administradores devem ter a mesma atitude.

?Três dos cinco hotéis da Rede Camel também fecharam provisoriamente até o fim do mês. Com esses números, o Ceará soma 11 empreendimentos parando atividades. Os que ainda têm hóspedes, não passam de duas dezenas. Isso aconteceu depois dos decretos que cancelaram os voos internacionais, além do fechamento das fronteiras estaduais.

Como todos os setores econômicos do País, hotelaria e entidades do setor turístico, junto a outros segmentos, solicitaram aos governos federal, estadual e municipal para que aliviem os tributos para que as empresas tenham fôlego e atravessem a crise.

"Nos próximos dias aguardamos que os hotéis fiquem vazios. Os prejuízos são incalculáveis e até o fim do mês todos os hotéis devem paralisar suas atividades e fechar as portas até essa pandemia acabar", destaca o presidente da ABIH-CE.

No País, associações ligadas ao turismo afirmam que as Medidas Provisórias editadas pelo Governo Federal, até o momento, não trazem solução para a drástica queda de demanda que já fechou 80% dos hotéis, parques e atrações turísticas. Em carta aberta, entidades dizem temer pela demissão de mais de um milhão de pessoas ligadas ao setor, que vai deixar de movimentar R$ 31 bilhões neste ano.

No comércio, as demissões iniciaram, revela o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro. "A maioria do comércio é composta por pequenas empresas", que são as mais impactadas.

"As empresas já vêm num estado de pré-falência, pois a economia já não estava bem. Em novembro já iria pedir um Refis para o setor", revela Freitas, que ainda aguarda por medidas de postergação da cobrança de impostos estaduais e municipais.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE), Erinaldo Dantas, que esteve em teleconferência com o governador do Estado, Camilo Santana, assina petição que pede a postergação da cobrança do ICMS para as pequenas empresas, como também de obrigações acessórias. O POVO apurou que o Governo já trabalha na formulação de um decreto com benefícios tributários para as empresas durante o período de surto do vírus.

Já o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Beto Studart, pondera que as medidas de quarentena são legítimas, mas que as empresas já devem se preparar para a retomada dos negócios. "Os empresários deverão ter ainda mais responsabilidade na relação com os funcionários para quando a economia retomar".

RECURSOS

Parte de indenização trabalhista paga pela mineradora Samarco por causa do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015, será destinada a municípios, hospitais e instituições de saúde em Minas Gerais.

 

 

Camilo decidirá até sexta sobre solicitações de empresários para minimizar perdas

O setor econômico cearense, por meio do Comitê de Crise, divulgou nota para tranquilizar os empresários do Estado diante dos prejuízos gerados pelo fechamento de empresas. Segundo o texto, o governador Camilo Santana (PT) deverá convocar uma nova reunião com os representantes das entidades que assinam o documento até o dia 27, sexta-feira, para estabelecer quais das dez medidas solicitadas pelos empresários de combate à crise econômica ante a Covid-19 serão acatadas e como implementá-las. O grupo apresentou as sugestões na segunda-feira, 23.

O Comitê informou que, após o avanço nas negociações com o governador, tem atuado buscando garantir a sobrevivência dos empreendimento locais e resguardar os postos de empregos que estão “severamente afetados pelas medidas de isolamento social”.

Dentre os empresários o sentimento é de esperança. É o que afirma o presidente da Confederação de Dirigentes Lojistas (CDL de Fortaleza), Assis Cavalcante. Ele comentou que as medidas se portam como uma forma de assegurar o bom funcionamento da economia cearense. "O governador é muito acessível e a causa é muito justa", declarou.

"Temos a convicção de que o alinhamento da defesa intransigente que fazemos de nossas categorias e a sensibilidade e serenidade com que o governador Camilo Santana tem tratado essa questão do novo coronavírus resultarão em notícias promissoras para os empresários e empresárias cearenses a partir do fim da presente semana", diz o comunicado.

>> EMPRESAS E GOVERNO: UMA MÃO LAVA A OUTRA, SOBRETUDO AGORA

Ao todo, foram pleiteadas dez ações pelo setor junto ao governo do Estado. Dentre as requisições estão a redução de taxas e o parcelamento de tributos estaduais. “Com pagamento de 20% de entrada e os demais 80% em 12 parcelas, enquanto durar a crise”, conforme diz a solicitação.

O Comitê foi criado pelo Governo do Estado para buscar ações que visem pela manutenção da economia em meio à crise que se instaurou por conta do coronavírus e reúne as principais entidades do comércio, de produção e prestação de serviços do Ceará, como a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a CDL e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio).


Fonte: O Povo

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