09 de dezembro de 2019 às 15h20m
Turismo no Brasil deve dobrar em 2022

De acordo com Manoel Linhares, o faturamento do turismo nos primeiros sete meses deste ano, foi de R$ 136,7 bilhões.

O maior já registrado nos últimos quatro anos, segundo informou. Somente no mês de julho, o setor faturou mais de R$ 20 bilhões e foi responsável por gerar 25 mil empregos nos últimos 12 meses.

Para 2020, “as expectativas são as melhores possíveis”, afirma. O presidente da Abih Nacional acredita que a autorização para a atuação das companhias aéreas de baixo custo e a liberação de vistos para alguns países, como Estados Unidos, Canadá e Japão, devem continuar os resultados positivos, melhorando os índices de ocupação em diversos locais do Brasil.

Manoel Linhares comenta ainda sobre duas medidas importantes para o setor hoteleiro. Uma, é a medida provisória publicada pelo presidente Jair Bolsonaro, que isenta os hotéis do pagamento de direitos autorais por músicas executadas nos quartos. Medida esta reivindicada desde 1977. E a outra, trata-se da transformação da Embratur em uma agência de divulgação e promoção do turismo brasileiro.
O presidente da Abih Nacional, Manoel Linhares, é cearense e foi novamente conduzido à presidência da entidade para o biênio 2020/2021.


O Estado. No último 27 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro publicou medida provisória que isenta os hotéis do pagamento de direitos autorais por músicas executadas nos quartos. Essa era uma queixa bem antiga, o que significava a partir de agora?
Manoel Linhares. A cobrança da taxa do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) nas músicas executadas em quartos de hotéis é questionada pela hotelaria desde o início, quando foi instituída em 1977. Essa antiga reivindicação sempre foi uma das metas de nossa gestão. A cobrança não fazia sentido, pois esses locais são considerados residências temporárias. Já nos ambientes coletivos, como áreas de lazer, hall de entrada e restaurante, ela permanece. Outro ponto que sempre destacamos é que cobrar a taxa dos hotéis tratava-se de uma dupla tributação já que as rádios e TVs já pagam ao Ecad.
OE. A outra medida é a que transforma a atuação da Embratur em agência de divulgação. Qual a importância dessa medida para o mercado de turismo no Brasil?
ML. A transformação da Embratur em uma agência de divulgação e promoção de nossos destinos e atrações turísticas também era um pleito antigo da hotelaria brasileira que finalmente foi atendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Precisamos valorizar nossas riquezas e nos beneficiar da exuberância e das surpresas que nosso País tem a oferecer, não só para os turistas, mas principalmente para o povo do nosso País. De acordo com dados divulgados pelo Governo, o objetivo, com as novas medidas e ações, é que 12 milhões de visitantes de fora venham ao País em 2022, quase dobrando os números de 2018, quando o País recebeu 6,5 milhões de turistas estrangeiros. A receita por eles gerada deverá passar de 6,5 bilhões de dólares para 19 bilhões de dólares no mesmo período.

OE. Com essas duas medidas, qual expectativa para o setor hoteleiro já em 2020?
ML. As expectativas são as melhores possíveis. O novo direcionamento da atuação da Embratur é recente, mas outras medidas do Governo – como a autorização para a atuação de companhias aéreas de baixo custo e a liberação de vistos para alguns países estratégicos e grandes emissores de turistas – já estão gerando resultado e devem continuar melhorando os índices de ocupação em todos os destinos turísticos pelo País.
OE. Qual deve ser a média da taxa de ocupação dos hotéis neste final de ano? Em qual Capital deve concentrar o maior número de visitantes?
ML. Ainda não temos essa estatística.

OE. A rede hoteleira teve um bom 2019?
ML. O ano de 2019 foi marcado por grandes conquistas para os setores de hotelaria e turismo brasileiros. Foi um período marcado pela recuperação nos índices de ocupação, que já foram um reflexo das recentes medidas do Governo Federal. Nos primeiros sete meses de 2019, o faturamento do turismo foi de R$ 136,7 bilhões, o maior registrado nos últimos quatro anos. Em um cenário de evolução, o setor faturou R$ 20,4 bilhões em julho deste ano e teve um saldo positivo de 25 mil empregos gerados nos últimos 12 meses.

OE. O Brasil está no mesmo patamar de outros destinos mundiais? Está preparado para dobrar o número de visitantes?
ML. O Brasil é um País cheio de atrativos para todos os gostos. Há cidades com clima frio, praias, destinos de aventura, para crianças, entre outros. O que não falta é diversidade para atender aos mais variados públicos. E, sem dúvida, estamos preparados para esse aumento de demanda pois a hotelaria – e o setor de turismo em geral – estão no mesmo nível dos principais destinos pelo mundo. Ainda precisamos de resolver algumas questões como a aprovação no Senado da atualização da Lei Geral do Turismo, mas estamos no caminho certo.

OE. Como avalia o momento atual do turismo no Brasil e as perspectivas para se tornar pilar da economia brasileira?
ML. O turismo é uma atividade econômica importante, muitas vezes, a principal em diversos países desenvolvidos.

No Brasil, o atual Governo está encarando o setor como um importante vetor para o desenvolvimento do País, tanto que em menos de um ano tomou medidas corajosas que eram pleiteadas há décadas, como a liberação do vistos para americanos, canadenses, japoneses, australianos e chineses, a transformação da Embratur em agência e definiu a questão dos direitos autorais nos apartamentos de hotéis. Isso torna favorável o ambiente de negócios e coloca o Brasil no mesmo nível de competitividade com os principais destinos do mundo.

OE. O senhor foi reeleito presidente da Abih Nacional, o que deve ser prioridade em sua gestão no próximo biênio?
ML. Nossa prioridade sempre foi e continuará sendo mostrar para autoridades e representantes do poder público a importância dos investimentos no setor de turismo. É uma indústria limpa que gera grande quantidade de empregos e estimula fortemente o desenvolvimento regional, fator importantíssimo num país de grandes dimensões como o Brasil. Nosso trabalho prossegue e iremos continuar mostrando esse potencial ao País.

Na defesa do setor, vamos intensificar a argumentação com as autoridades da necessidade da regulamentação das plataformas de vendas de hospedagem, como já acontecem em outros países. Temos criticado a concorrência desleal dessa modalidade de locação por não ser regularizada e fiscalizada como a hotelaria tradicional, além de não recolher milhões de impostos ao fisco, já que, essas plataformas se aproveitam do vácuo legislativo para não pagarem os tributos.

Outro ponto que vamos trabalhar mais intensamente é mostrar a importância e os benefícios que a legalização dos jogos pode trazer para o País. É um setor que pode arrecadar R$ 20 bilhões por ano em impostos, gerar 400 mil novos postos de trabalho e criar e desenvolver regiões em função do turismo.


Fonte: O Estado

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