28 de outubro de 2019 às 08h57m
Fisioterapia no tratamento do câncer de mama

Ainda é Outubro Rosa, mês dedicado às campanhas de prevenção e diagnóstico precoce ao câncer de mama.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram estimados mais de 59 mil casos de câncer de mama para o Brasil no ano de 2019. Este é o tipo que mais acomete as mulheres brasileiras.

Ao jornal O Estado, a fisioterapeuta oncológica do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio), Ana Paula Portela, conta sobre o papel da Fisioterapia no processo de reabilitação durante o tratamento do câncer de mama. De acordo com ela, a finalidade é diminuir os efeitos colaterais e as várias complicações que normalmente surgem após uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.

O Estado. Qual o papel da Fisioterapia no tratamento do câncer de mama?
Ana Paula Portela. A Fisioterapia atua para diminuir, prevenir e tratar as complicações sinérgico funcionais que o tratamento pode trazer, tanto a cirurgia, como a quimioterapia e a radioterapia traz uma série de complicações físicas e mentais, e a gente atua mais nessas complicações sinérgico funcionais melhorando a funcionalidade dessa paciente para ela voltar as atividades de rotina, as atividades diárias dela para ela ter menos dor, conseguir ter mais independência para fazer tudo e voltar a ser mais perto possível do que ela era antes do tratamento.

OE. Então qual o momento que a Fisioterapia entra no tratamento?
AP. Estamos em todas as fases do tratamento, inclusive estamos antes do tratamento. A gente pode começar desde o diagnóstico, já para prevenir que essas complicações apareçam.

Então se a paciente vai iniciar com quimioterapia, a gente já pode tentar prevenir as complicações da quimio, na cirurgia temos uma atuação no pré-cirúrgico para ajudar a diminuir as milhares de complicações que o pós-cirúrgico vai ter e também da radioterapia. Aqui, no Crio, começamos com esse trabalho de prevenção, no caso da cirurgia, o pós-cirúrgico é imediato, já atuamos, e continuamos até o final do tratamento. Também atuamos na manutenção após o tratamento para manter que essas complicações não apareçam.

OE. Como avalia essa campanha do Outubro Rosa, deveria ser maior? Esse cuidado com a saúde da mulher deveria ser durante todo o ano?
AP. Na verdade, a gente acha, sim, que deveria ser o ano todo, porque um mês só para diagnóstico precoce e prevenção é muito pouco, pós-casos de câncer de mama estão aumentando cada vez mais, as estatísticas estão mostrando que vão aumentar ainda mais. A gente sabe que um mês é pouco e que poucas pessoas sabem, mesmo tendo uma mobilização tão grande, mundial, poucas pessoas ainda tem acesso a essas informações ou então acham que não é importante ou que nunca vai acontecer consigo. Nós que estamos aqui, temos esse olhar que deveria ser o ano todo, ser sempre e sempre procuramos divulgar isso a quem está próximo, só não temos como promover o Outubro Rosa o ano inteiro sozinhas.

OE. Ana Paula, muitas mulheres acabam reclamando que existe essa campanha, essa grande mobilização mundial como você falou, durante o mês todo falando sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce, mas que é difícil conseguir exames, conseguir consultas. Então, essa dificuldade acaba atrapalhando no diagnóstico precoce?
AP. Pode ser que sim, porque nem todas tem condição de ter esse acesso, mas o que a gente diz, que as mulheres procurem associações, ONGs, que podem fornecer melhor essas informações e orientar qual o caminho certo para elas conseguirem acesso a esses exames.

OE. Como você vê a questão de ações que estimulem a autoestima da mulher que passou ou está passando pelo tratamento de câncer, e como isso ajuda no processo de cura, inclusive sobre a importância do apoio da família, inclusive, dos maridos?
AP. É importante falar dessa questão do marido, porque é um relato que recebemos constantemente de muitas pacientes, que às vezes o marido a deixa. Elas já ficam com a autoestima fragilizada, perdem a mama, perdem o cabelo, sobrancelhas, cílios, o pelo, elas já se sentem feias. Realmente fica tudo muito fragilizado e muitas vezes perdem até a família, o marido, isso tem um impacto muito grande, que afeta o tratamento, porque se elas estão se sentindo mal, se estão tristes, a imunidade baixa e o tratamento não tem o mesmo feito de um paciente que está bem, que está com a autoestima elevada, que está sentindo bem.


A gente precisa trazer um olhar para isso, porque o impacto não é somente estético, é sistêmico, geral em todo o tratamento e elas se sentindo bem, com essa autoestima elevada vão se sentir bem independente se estão com o marido ou não e talvez fiquem menos sensíveis, menos fragilizadas.
OE. Que tipo de ações o Crio desenvolve durante todo o ano para a prevenção do câncer de mama, e como conseguir esse apoio?
AP. O Crio, voltado para essas pacientes do câncer de mama, tem o projeto costurando sonhos, que é da Associação Nossa Casa, para pacientes que vem do interior fazer tratamentos aqui e ficam aqui. Toda semana, todo dia, são diversas ações de atividades físicas palestras sobre autocuidado, higienizações. Ações, de uma maneira geral, têm o ano todo. Outubro são mais voltadas ao câncer de mama. Chega novembro, o foco já é o câncer de próstata. E de acordo com cada mês, tentamos focar a ação em alusão a um tipo de câncer.

OE. Durante o mês de outubro, acontecem muitas mobilizações de mulheres que querem doar cabelo. Essas doações podem ser recebidas aqui?
AP. Sim, estamos sempre recebendo. É só procurar o responsável pela Associação Nossa Casa, no Crio, deixa o cabelo lá, faz a inscrição de que fez a doação e esse cabelo será encaminhado para confecção de perucas para as mulheres em tratamento do câncer.


Fonte: O Estado

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