24 de setembro de 2019 às 06h33m
Bolsonaro chega à ONU na defensiva por desconfiança

Jair Bolsonaro chega à Assembleia Geral da ONU na contramão de alguns dos principais líderes mundiais presentes no encontro

Num momento marcado pelas cobranças de ações coordenadas contra a mudança climática, o Brasil surge na defensiva e busca amenizar a desconfiança internacional provocada por declarações recentes do presidente.

O discurso de Bolsonaro – todos os anos, cabe ao líder brasileiro fazer a abertura dos debates – deve ser marcado por um esforço para rebater críticas em relação à política ambiental do país, sob argumento de proteção da soberania nacional. Servirá também para vender a imagem de que o Brasil tem compromissos com ações contra o desmatamento e é favorável ao desenvolvimento sustentável.
Bolsonaro, que desembarcou em Nova York no final da tarde dessa segunda (23) e chegou ao hotel sem falar com a imprensa, no entanto, deu sinais de que pretende adotar um tom moderado para evitar confronto com outros líderes. Ele ficou sob pressão principalmente depois que o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, apontaram publicamente o risco de retrocessos na agenda do Brasil para o meio ambiente. O tempo protocolar para o discurso de Bolsonaro será de 20 minutos.

A ideia é que o presidente use o máximo do período para tentar defender a tese de que seu governo não conduz uma política ambiental negligente e que a crise da Amazônia tem sido utilizada por outros países como forma de intervir na soberania brasileira. Segundo diplomatas brasileiros, Bolsonaro dirá que o país não tolera crimes ambientais e que as queimadas e o desmatamento na floresta agora não destoam da média dos últimos 20 anos.

Assim como o chanceler Ernesto Araújo afirmou a investidores na viagem que fez na semana passada a Washington, o presidente se defende dizendo que a imprensa estrangeira não criticava as gestões do PT, por exemplo, quando o assunto era meio ambiente. Bolsonaro não abandonará sua retórica nacionalista e dirá que o desenvolvimento sustentável na Amazônia não exclui atividades econômicas -o Planalto afirma que é possível explorar a região, inclusive em terras indígenas e em áreas de preservação.

No meio do ano, a missão do Brasil na ONU enviou ao Itamaraty pontos do dossiê da agenda internacional que poderiam ser aproveitados como base do discurso do presidente. Entre os temas, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e acordos de paz. Diferentemente de anos anteriores, no entanto, diplomatas dizem que o roteiro não deve ser aproveitado pelo presidente brasileiro, que elaborou sua fala sob tutela de Ernesto, do general Augusto Heleno (GSI), do secretário para assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins, e de seu filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), escolhido por ele para ser embaixador do Brasil nos EUA.

Integrantes do governo fizeram um esforço prévio de contenção de danos à imagem do Brasil, em especial sob a perspectiva da preservação ambiental.
O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) viajou a Washington e Nova York para se encontrar com empresários, dirigentes de órgãos internacionais e ministros de outros países.


Fonte: O Estado

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