29 de abril de 2019 às 20h05m
Ameaça de extinção em massa marca conferência sobre biodiversidade em Paris

Destruição das espécies prejudica o planeta tanto quanto aquecimento global, dizem participantes

Cientistas e diplomatas de mais de 130 países estão reunidos a partir desta segunda-feira (29) em Paris na conferência mundial sobre a biodiversidade. O objetivo é adotar a primeira avaliação mundial dos ecossistemas em 15 anos, que pode servir de base para a reunião sobre o clima em 2020, na China, dos Estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica.

"As provas são inegáveis: nossa destruição da biodiversidade e dos serviços do ecossistema (benefícios que o ecossistema gera para a economia) alcançaram níveis que ameaçam nosso bem-estar tanto quanto as mudanças climáticas induzidos pelo homem", declarou Robert Watson, o presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

O grupo de especialistas trabalhou durante três anos em um relatório de 1.800 páginas, que deve se tornar a verdadeira referência científica sobre biodiversidade, assim como os do IPCC para o clima. O termo biodiversidade diz respeito a todas as espécies animais ou vegetais que vivem no planeta, incluindo o Homem.

Quase nenhuma das 20 metas previamente estabelecidas para 2020, que visam a uma vida "em harmonia com a natureza", até 2050, será alcançada, de acordo com resumo preliminar do relatório obtido pela agência AFP. O relatório final será discutido, alterado e adotado linha a linha pelos delegados antes de sua publicação em 6 de maio.

"O patrimônio ambiental global está sendo alterado a um nível sem precedentes", adverte o texto. Várias evidências apontam para uma rápida aceleração da taxa de extinção de espécies ". Segundo o documento, um quarto das 100.000 espécies avaliadas - uma porção mínima das 8 milhões estimadas na Terra - já está sob ameaça de extinção, sob pressão da agricultura, da pesca, da caça, ou ainda da mudança climática.

Com a aceleração esperada da taxa de extinção, entre 500.000 e 1 milhão devem estar em risco, "muitas delas nas próximas décadas". Projeções que corroboram o que alguns cientistas vêm descrevendo há anos: o início da sexta "extinção em massa", a primeira desde o aparecimento dos homens no planeta.

Legado para as gerações futuras

"Este relatório fundamental lembrará que as gerações de hoje têm a responsabilidade de legar às gerações futuras um planeta que não seja irreparavelmente danificado pelas atividades humanas", disse Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, onde acontece a reunião.

"A ciência nos diz o que os nossos sábios vêm reportando há décadas: a Terra está morrendo", disse José Gregorio Mirabal, presidente da COICA, uma organização que reúne organizações indígenas da bacia amazônica.

"Pedimos urgentemente um acordo internacional para a natureza, para restaurar metade do mundo natural o mais rápido possível", acrescentou, à medida que este relatório global leva em conta pela primeira vez os problemas e prioridades dos povos indígenas.

O texto faz uma conexão clara entre aquecimento global e a destruição da natureza, identificando algumas causas semelhantes, em particular práticas agrícolas e desmatamento, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2, bem como danos diretos aos ecossistemas.

 


Fonte: RFI

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