21 de abril de 2019 às 14h02m
Cirurgia cardíaca pouco invasiva é opção para recuperação mais rápida do paciente

Para médico, são necessários especialização dos profissionais e equipamento moderno para que a técnica seja ofertada na rede pública de saúde

Cirurgias cardíacas videoassistidas têm sido realizadas nos últimos quatro anos, no Ceará, e se consolidam como opção mais vantajosa ao paciente. Em Fortaleza, cirurgiões da rede Hapvida e do Hospital Universitário Walter Cantídio, por exemplo, usam a técnica.

Luciana Vieira, desenhista de 37 anos, foi a paciente mais recente submetida a uma cirurgia assim. Ela veio do Rio Grande do Norte para Fortaleza e foi operada no mês passado, pelo Hapvida. Ela teve febre reumática quando criança e, recentemente, sentia forte cansaço. Após exames, estreitamento da válvula mitral foi diagnosticado. Médicos recomendaram a cirurgia e ela já esperava grande incisão, longo internamento e demorada recuperação.

A plastia valvar videoassistida, contudo, reduziu pelo menos dois meses do tempo de recuperação pós-cirúrgico. Se o procedimento convencional tivesse sido executado, levaria todo esse tempo porque o reparo da válvula demandaria abertura do esterno (osso do centro do tórax).

Com a nova técnica, minimamente invasiva, Luciana precisou passar apenas dez dias afastada da rotina. Foi necessário apenas um pequeno corte abaixo do seio, entre as costelas. "Eu só percebi quando acordei. Ainda tentei olhar para ver se tinha algum outro curativo no meio do meu corpo. Eu achei excelente porque pude voltar retornar para minha casa, minha rotina, meu trabalho, mais rápido", conta a paciente.

Os cirurgiões Adriano Milanez e Flávio Camurça são especialistas nesta técnica. Milanez diz que, em todos os casos já realizados, houve sucesso no pós-operatório. “São cirurgias com menos cortes, menos traumatismos no tecido, melhor estética. O Hapvida tem projeto para difundir isso ainda mais e realizar mais esse tipo de procedimento, no rol de oferta do plano de saúde", pontua Milanez.

Histórico

A dupla Milanez e Camurça foi pioneira, em 2016, com a primeira revascularização do miocárdio (ponte de safena) videoassistida no Ceará. Com a introdução da câmera em pequenos furos no peito em vez da abertura do osso esterno, as imagens dispostas em um monitor guiam os médicos na retirada de um pedaço de artéria mamária. O enxerto é utilizado para fazer uma ponte e dar novo caminho ao sangue, substituindo a artéria com entupimento ou obstrução completa. A abertura do pericárdio também é feita por visão indireta, pela câmera.

A parte final vem com pequena incisão na altura da costela. Com este corte em tamanho semelhante ao realizado em cirurgias de apendicite, a ligação dos vasos é feita manualmente pelos cirurgiões. Agora, o Hapvida contabiliza pacientes até de outros estados aguardando avaliação médica para procedimentos relacionados.

Milanez, entretanto, avalia que são necessários especialização dos profissionais e equipamento moderno para que a técnica seja ofertada na rede pública de saúde. “Ainda são poucos cirurgiões usando, porque ainda é relativamente nova, mais trabalhosa e bem específica. Para o paciente, é muito mais vantajosa e menos arriscada”, analisa.

O POVO Online noticiou, também em 2016, a primeira cirurgia cardíaca videoassistida do Hospital Universitário Walter Cantídio, do complexo hospitalar da Universidade Federal do Ceará (HUWC). A paciente, que tinha doença de comunicação interatrial (CIA), foi operada com a técnica pelo cirurgião Josué de Castro.

Saiba Mais

A reparação das válvulas aórticas ou mitrais são necessárias após entupimento, mau funcionamento ou mesmo envelhecimento. A troca ou reparação é mais comum em pacientes idosos ou que tiveram febre reumática no passado.

Na abordagem videoassistida, o cirurgião opera através de pequenos orifícios (com cerca de 1 a 4 cm de diâmetro). Os órgãos são visualizados com o auxílio de câmeras que transmitem as imagens para monitores de alta definição, estrategicamente colocados na frente do cirurgião e de seus auxiliares.

Conforme informações do Hospital Albert Einstein, instrumentos longos - especialmente feitos para este tipo de cirurgia - são utilizados para a manipulação, corte ou sutura dos órgãos internos. O câncer do pulmão, o derrame pleural, os tumores do mediastino e do esôfago, a biópsia pulmonar e a cirurgia para o tratamento da hiperidrose (suor excessivo) são alguns dos exemplos de problemas de saúde que podem ser tratados de forma videoassistida.


Fonte: O Povo

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