30 de janeiro de 2019 às 07h32m
Maduro diz que está pronto para conversar com a oposição e fala em antecipar eleições legislativas

Venezuela deve enfrentar uma nova manifestação convocada pelo autoproclamado presidente interino, Juan Guadió, nesta quarta.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (30) que está pronto para dialogar com a oposição e se mostrou favorável à organização de eleições legislativas antecipadas para superar a crise política. O país deve enfrentar nesta quarta-feira (30) uma nova manifestação da oposição convocada pelo autoproclamado presidente interino, Juan Guadió, que pediu sanções à União Europeia.

"Estou disposto a comparecer à mesa de negociações com a oposição, para falar sobre o bem da Venezuela, pela paz e seu futuro", declarou Maduro à agência de notícias russa RIA Novosti. A conversa poderia contar com a presença de mediadores internacionais.

"Seria muito bom organizar eleições legislativas antes, seria uma boa forma de discussão política, uma boa solução através do voto popular", afirmou Maduro.

Em seguida, ele destacou que "as eleições presidenciais aconteceram há menos de um ano, há 10 meses".

"Não aceitamos ultimatos de ninguém no mundo, não aceitamos a chantagem. As eleições presidenciais aconteceram na Venezuela e se os imperialistas querem novas eleições que esperem até 2025", completou Maduro.

O apelo por eleições "livres e credíveis" foi feito pelo União Europeia logo depois de o presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição, Juan Guaidó, autodeclarar-se presidente interino da Venezuela na quarta-feira (23).

Trump

Maduro disse ainda que está "disposto a discutir pessoalmente com Donald Trump, em público, nos Estados Unidos, na Venezuela, onde quiser, com qualquer programa" de debate.

Porém, considera "complicado atualmente" que isso aconteça, porque, segundo Maduro, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, "proibiu Trump de iniciar o diálogo".

A disposição de Maduro para conversar com os opositores foi divulgada horas depois de o Tribunal Supremo da Venezuela congelar as contas de Guaidó e proibir o opositor de deixar o país.

Mais cedo, Guaidó enviou uma mensagem pelo Twitter para a Suprema Corte venezuelana em resposta ao pedido do procurador, que solicitou o bloqueio de seus bens:

"A quem estiver hoje na sede do TSJ: o regime está na etapa final. Isso é inevitável, e vocês não precisam se sacrificar com o usurpador e sua turma! Pensem em vocês, suas carreiras, no futuro de seus filhos e netos que também são os nossos. A história vai reconhecê-los".

Pedido de sanções

Juan Guaidó pediu que a Alemanha e a União Europeia apliquem sanções concretas a Nicolás Maduro.

"Precisamos de sanções como as impostas pelos Estados Unidos. Temos uma ditadura e deve ser feita pressão. Cada vez mais pessoas são assassinadas. Além disso, está claro que o regime de Maduro é absolutamente corrupto", disse Guaidó ao jornal alemão "Bild".

O líder da oposição também convocou manifestações para esta quarta-feira (30) e sábado (2) com o objetivo de pedir o apoio dos militares a sua iniciativa de montar um governo provisório que conduza à realização de novas eleições.

Embora a cúpula militar tenha classificado de "engano", Guaidó insistirá durante o dia na oferta de anistia aos militares que colaborarem com uma transição, em uma tentativa de romper a principal base de apoio de Maduro, as Forças Armadas.

Desde segunda-feira (21), o país enfrenta uma onda de protestos que já deixou 40 mortos e 850 detidos, em estimativa da ONU. No domingo, Guaidó solicitou uma visita da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet.


Fonte: g1.com

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