04 de janeiro de 2019 às 08h02m
Câmara dos EUA aprova medidas para desbloquear orçamento, mas não prevê fundos para construção de muro

Iniciativa da maioria democrata deve ser barrada no Senado

A nova maioria democrata na Câmara de Representantes aprovou nesta quinta-feira (4) duas medidas para desbloquear o orçamento federal que paralisa o governo americano. A iniciativa não conta com o apoio do presidente Donald Trump, que exige dinheiro para a construção do muro na fronteira com o México.

Com uma votação de 239 a 192, a Câmara aprovou uma lei de financiamento que permite liberar fundos temporariamente para o Departamento de Segurança Interna até 8 de fevereiro, dando tempo para se chegar a um acordo sobre a questão da imigração.

Outra medida que prevê recursos para seis agências federais, paralisadas desde 22 de dezembro, foi aprovada com uma votação de 241 a 190. Cerca de 800 mil servidores federais são afetados pelo bloqueio.

Senado deve barrar

Porém, o Senado, que é controlado pelo partido de Trump, o Republicano, deve barrar a iniciativa pois ela não prevê a verba de 5 bilhões de dólares para a construção do muro.

Trump garante que vai manter a paralisia orçamentária "pelo tempo de precisar" até que obtenha a verba para a construção da barreira que, segundo ele, serviria para conter imigrantes ilegais e drogas na fronteira.

Quando concorreu à Presidência em 2016, Trump garantiu que o México pagaria pela obra, o que o vizinho se recusa a fazer.

Os democratas consideram que o muro não é a resposta mais adequada a uma questão complexa como a imigração. Em entrevista coletiva após sua eleição como presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi classificou a construção do muro "um desperdício de dinheiro".

Por sua vez, o vice-presidente do país, Mike Pence, afirmou à emissora "Fox" que "se não houver muro, não haverá acordo".

Nesta sexta-feira (4), Trump e líderes do Congresso devem voltar a se reunir para debater maneiras de romper o impasse.

Novo Congresso

Na quinta-feira (3), os deputados e senadores americanos eleitos nas últimas "midterms", as eleições de meio de mandato realizadas em novembro, tomaram posse dos seus cargos. Trata-se de um novo capítulo na política americana, já que a posse do 116º Congresso americano marca a passagem da Câmara dos Representantes para mãos de uma maioria democrata, opositora ao presidente Donald Trump.

Após dois anos governando com maioria em ambas as Casas, Trump agora terá de negociar com os democratas, que passam a ter 235 assentos na Câmara e sua presidência, nas mãos de Nancy Pelosi, contra 199 republicanos. Antes, eram 235 republicanos e 193 democratas.

Já no Senado, os republicanos avançaram e aumentaram sua maioria de 51 para 53 cadeiras do total de 100, sendo os outros 47 senadores democratas.

 


Fonte: g1.com

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