18 de dezembro de 2018 às 09h47m
Gabriel Medina é bicampeão mundial de surfe no Havaí

O brasileiro Gabriel Medina é bicampeão da Liga Mundial de Surfe. Ontem, ele ficou com o título da temporada 2018 após avançar à final na etapa de Pipeline, Havaí, resultado de que precisava para não depender de ninguém

O ápice da sua participação nos EUA foi nas quartas de final. Após sair 12 pontos atrás do americano Conner Coffin, ele emplacou uma onda nota 9.43 e outra que recebeu a pontuação máxima, 10, para passar à semifinal, quando superou o sul-africano Jordy Smith em nova bateria muito equilibrada.

Natural de São Sebastião, no litoral de São Paulo, Medina volta a conquistar a competição quatro anos após obter seu primeiro troféu. Desde 2014, o paulista se mantém entre os melhores surfistas do mundo: ficou na terceira posição em 2015 – quando o também brasileiro Adriano de Souza, o Mineirinho, venceu -, e 2016. No ano passado, acabou com o vice-campeonato.

Em 2018, diferentemente do que havia acontecido nas temporadas anteriores, Medina teve como grande trunfo a regularidade. Ele chegou à decisão após vencer 2 das 10 etapas (Taiti e Califórnia), menos do que Ítalo Ferreira, que fechou o ano em quarto lugar após ganhar três eventos.
A diferença é que Medina teve um bom desempenho mesmo quando não triunfou. Antes de Pipeline, ele avançou às semifinais três vezes e parou nas quartas de final outras três. Seu pior resultado foi o 13º lugar na primeira etapa, realizada em março, na Austrália.

Carreira


Medina, que começou a surfar aos 9 anos, acumulou feitos precoces na carreira. Aos 14, já participava da divisão de acesso da Liga Mundial. Em 2011, com 17, surpreendeu o mundo ao vencer duas etapas logo em sua estreia na elite.

Ele foi pioneiro ao conquistar o primeiro título de um brasileiro em 2014, aos 20 anos. Se o bicampeonato demorou mais do que muitos esperavam para virar realidade, Medina tem a expectativa de uma carreira longa, com tempo para ampliar seus feitos. A lenda americana Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial, ainda disputou três etapas nesta temporada, aos 46 anos. O último título dele foi aos 39.

Além de bicampeão, hoje o paulista é tratado pela Liga Mundial como o surfista com maior base de fãs e tornou-se um ícone da modalidade. Antes da última etapa, ele recebeu mensagens de incentivo de nomes como Pelé, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Cesar Cielo e Gustavo Kuerten. No Instagram, ele é seguido por 6 milhões de usuários, número superior à soma dos seguidores de Kelly Slater e do bicampeão John John Florence (2016 e 2017), maior rival de Medina nos últimos anos e que abandonou a temporada 2018 após uma lesão no joelho.

Histórico


A conquista do bicampeonato de Gabriel Medina, 24, no Mundial de surfe coroa uma temporada histórica para os brasileiros na elite do esporte. Com 11 dos 34 atletas que tiveram lugar fixo na primeira divisão em 2018, pela primeira vez o Brasil foi o país mais representado, acima das maiores potências da modalidade: Austrália (oito) e EUA (seis).

O domínio se refletiu em resultados, e três surfistas brasileiros acabaram o ano entre os quatro primeiros colocados. Além do campeão, o país teve Filipe Toledo, 23, em terceiro lugar, e Italo Ferreira, 24, na quarta posição. Apenas o australiano Julian Wilson, 30, interrompeu a sequência nacional, com o vice-campeonato.
O resultado é tão expressivo quanto o de 2015, quando Adriano de Souza, o Mineirinho, foi o vencedor. Medina acabou em terceiro, e Toledo, em quarto. Naquele ano, eram sete brasileiros fixos na elite. Ferreira chegou a liderar o ranking no início desta temporada. Depois, ele foi sucedido por Toledo, ultrapassado por Medina após a nona etapa, realizada na França.


Fonte: O Estado

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