01 de fevereiro de 2018 às 12h34m
Puigdemont: independência da Catalunha chega ao fim

O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, foi flagrado ontem, 31, no que parece ser a admissão de sua derrota política.

O líder separatista enviou uma mensagem a Toni Comín, ex-ministro catalão da Saúde, afirmando que o plano do governo espanhol “triunfou”. “Isto acabou. Os nossos próprios seguidores nos sacrificaram.” As mensagens foram gravadas na tela do celular de Comín por um canal de TV espanhol. A conversa ocorreu na terça (30) após a sessão do Parlamento catalão que deveria ter culminado na posse de Puigdemont – o líder da Casa, porém, adiou essa votação por tempo indeterminado. Puigdemont, foragido em Bruxelas, disse viver “os últimos dias da república catalã”.

O ex-ministro Comín ameaçou processar o canal de televisão devido à invasão de sua privacidade, um crime que pode levar a até quatro anos de prisão. Já Puigdemont escreveu em sua conta oficial na rede Twitter: “Sou humano e há também momentos em que tenho dúvidas”. As mensagens de Puigdemont, com uma menção explícita ao “triunfo” do governo espanhol, foram celebradas pelas autoridades em Madri. “Os independentistas reconhecem a derrota. A farsa de Puigdemont acabou”, disse o governista Partido Popular em uma mensagem nas redes sociais.

A vice-primeira-ministra, Soraya Sáenz de Santamaría, disse que “é a hora de se dizer em público o que tem sido dito em privado”. Já o secretário-geral do partido de esquerda Podemos, Pablo Iglesias, afirmou que as mensagens “não surpreendem”, já que a estratégia de independência de Puigdemont “está esgotada”. “Nossa posição é clara: é necessário haver um presidente na Catalunha que governe estando na Catalunha”, disse Iglesias.

Sacrifício
Puigdemont liderou os separatistas catalães na convocação e realização do plebiscito separatista de 1° de outubro, considerado ilegal pelo governo central espanhol. Quando semanas depois o Parlamento regional catalão declarou sua independência de maneira unilateral, Puigdemont fugiu para a Bélgica. Ele é acusado por Madri de rebelião e sublevação. O governo espanhol dissolveu o governo catalão e convocou eleições para 21 de dezembro. Forças separatistas voltaram a reunir a maioria dos assentos – 70 de um total de 135 – e propuseram a reeleição de Puigdemont.
O Tribunal Constitucional, no entanto, exige que o separatista esteja presente na plenária de sua posse, algo inviável enquanto ele estiver foragido. Caso volte a Barcelona, ele pode ser detido. Carlos Puigdemont e seus seguidores insistem em que ele é o único candidato possível ao cargo, mas já há algum desacordo dentro das fileiras separatistas.


Fonte: O Estado

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