08 de janeiro de 2018 às 07h44m
Ceará rumo à expansão do desenvolvimento

Um novo ano está iniciando e o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), César Ribeiro, avalia que 2017 foi de muitas conquistas, mas muito ainda está por vir.

Um novo ano está iniciando e o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), César Ribeiro, avalia que 2017 foi de muitas conquistas, mas muito ainda está por vir.

Ele acredita que 2018 deverá ser de grande crescimento para o Ceará, tendo em vista os empreendimentos de porte que estão vindo para o Estado, nos mais variados setores, em especial na tecnologia e na logística, formando o que o governador Camilo Santana chamou de “Trinca de hubs” – formada pelos cabos de fibra óptica e o data center que chegam e estão em implantação na Praia do Futuro, numa parceria com a empresa Angola Cables; o hub das empresas aéreas Air France/KLM/Gol, assim como a parceria firmada entre os portos do Pecém e de Roterdã, que visam fazer do Pecém um espaço para receber navios de grande porte, que fazem a navegação de longo curso, e dali, distribuir em navios menores para os demais portos do Brasil. E acha que. não apenas este, mas os próximos anos serão altamente positivos para o Ceará.

O Estado – O Ceará apresentou um desenvolvimento muito grande no ano que terminou. O que foi mais importante para isso ocorrer?
César Ribeiro – É importante colocar sempre que é fundamental criar uma ambiência que propicie a atração de novas oportunidades, novos negócios. O Estado, sob a liderança do governador Camilo, vem criando a ambiência necessária para receber grandes investimentos. E isso não é apenas consolidação de área, incentivos fiscais, construção de galpões, mas principalmente num contexto que faça o empresário, investidor ou grupo chegar e falar: “Nós vamos para o Ceará porque o Estado tem todas as condições de agregar valor em cima do meu investimento”.

OE – E como o Ceará está fazendo isso?
CR – Aí perpassa uma série de coisas, alguns projetos prioritários. O Ceará é, hoje, o estado que mais investe, que tem um dos maiores e melhores níveis de transparência do País, a melhor situação fiscal, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj). É o estado que tem a maior referência de educação básica de todo o País. Das 100 melhores escolas de ensino básico, públicas, 77 estão no Ceará e as 24 primeiras estão aqui. É um estado que honra os seus compromissos e que tem liderança ativa do seu comandante.

OE – E isso é muito importante na hora de realizar as tratativas?
CR – Quando você coloca todos esses componentes numa mesa para discutir investimentos, isso tem um peso muito grande e, graças a esse trabalho, em pouco menos de um ano a SDE agregou alguns projetos prioritários que o governador pediu que a gente fizesse e grandes projetos vieram para o Estado e outros virão. Ele sempre fala do interesse em colocar o Ceará, obviamente por toda a condição estratégica, logística, por ser a esquina do Oceano Atlântico, com uma “Trinca de hubs”, sendo um portuário, outro aeroportuário e um terceiro de comunicações, este último em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, conseguiu trazer para cá um grande data center da Angola Cables, pois todos os cabos de fibra óptica que vêm para o Brasil passam pelo Ceará, vindo da Europa e da África, e, daqui, distribui para as américas do Norte e do Sul. Isso traz uma condição ao Estado de ter uma melhoria na sua transmissão de dados, além de agregar e reforçar o ambiente de tecnologia.

OE – E isso é muito importante para as empresas que, cada vez mais, precisam de maior velocidade nas suas conexões com o Brasil e outras partes do mundo?
CR – Não é só infraestrutura, equipamentos, áreas, galpões, mas, principalmente, condição de transmissão de dados, de TI, que o Estado vem se modernizando e criando condições para que as empresas venham se instalar aqui.

OE – E qual seria outro ponto importante para o Ceará?
CR – O governador sempre quis trazer um grande centro de conexões de voos, um hub aéreo. Isso começou com uma conversa com a Latam, mas é importante falar a liderança dele nas tratativas com a Fraport (que arrematou a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins). Porque isso tudo começou com a concessão do aeroporto de Fortaleza, pois ele não estava no pacote, mas com a articulação do governador e o prefeito Roberto Cláudio, o nosso aeroporto se credenciou para ter a abertura de concessão, por 30 anos, para uma empresa privada. E tivemos a felicidade de sermos contemplados de a vencedora do leilão ter sido a Fraport, que, na minha opinião, é uma das maiores administradoras de aeroportos no mundo, e eles sempre disseram que queriam o nosso aeroporto, que teve uma das disputas mais acirradas entre as empresas que participavam do certame.

OE – Isso contribuiu para atrair o hub da Air France/KLM/Gol?
CR – O Ceará começou a criar a ambiência para trazer um grande hub aéreo e sabíamos que se não fosse a Latam, seria por outra companhia, inevitavelmente. Pela condição do Estado em receber um projeto desses e, obviamente, pela Fraport – que é um selo de operação aeroportuária no mundo inteiro –, com o Aeroporto de Frankfurt. Tivemos a apresentação do projeto do hub da Air France/KLM/Gol, onde criamos um canal de direto de comunicação do governador com a Air France, KLM e Fraport, facilitando muito, pois as empresas viram a possibilidade de negociar os projetos com seu líder maior, o que traz mais conforto e confiança. A gente vive um momento de consolidação desse projeto, com tratativas envolvendo PGE, CGE, Sefaz, Seplag, SDE, para que o projeto venha da melhor maneira possível.

OE – Além de órgãos da esfera federal também, não é?
CR – Sem dúvida. A Fraport assume a administração do Pinto Martins, agora em janeiro, e a tratativas com a Anac e Infraero. A Fraport também fez algumas alterações, mas o hub da Air France/KLM/Gol, na minha visão, muda a realidade econômica do Ceará. Vamos trabalhar para que esses passageiros façam um stopover e fiquem alguns dias aqui, para que o Estado aumente sua arrecadação em termos de serviços e comércio, com os turistas comprando nosso artesanato, consumindo em nossos restaurantes e comércio local, hospedando-se em nossos hotéis, utilizando táxis e outras modalidades de transporte. Então, a arrecadação e o impacto financeiro serão muito fortes. E eu venho falando que isso é o ponto de partida, pois vários outros investimentos ligados a esse projeto virão para cá. A Fraport está muito engajada nisso e vai trabalhar para que o projeto cresça. Já temos informação da Air France e KLM que logo teremos sete voos semanais e não só cinco.

OE – A própria Delta e Latam já falaram que podem realizar novas operações a partir do Aeroporto Pinto Martins, não é?
CR – A Delta faz parte da aliança que envolve a Gol, Air France e KLM. Não tenho dúvida nenhuma de que isso é só o começo. E não falando apenas do turismo, mas das nossas exportações, da condição do desenvolvimento econômico e social que o Estado poderá ter na geração de empregos, com novas frentes de trabalho e, principalmente, com a possibilidade de que a gente possa escoar a nossa produção através do modal aéreo, que sempre foi uma dificuldade. A gente vai ter mais espaço nos porões e temos produção de flores, de frutas, de pescado, agora o atum, e, principalmente, flores para a Holanda. Então, vemos a perspectiva de mudar, muito, o perfil de exportação com o modal aéreo.

OE – E sobre o Porto do Pecém?
CR – Em 2018, teremos a consolidação do hub portuário com Roterdã. O govenador também tem liderado este projeto e agora, no primeiro trimestre, assinaremos a parceria que prevê a participação acionária e a gestão do Porto de Roterdã no Complexo, CIPP S.A.. Com isso, criamos uma condição de aumento de movimentação de cargas que deve duplicar as operações no Pecém. Mas se vão ser 28 ou 30 milhões de toneladas/ano, para isso vamos precisar de contêineres, que se gera com produção e novas indústrias. Roterdã tem uma expertise muito grande no arrendamento da área do entorno e queremos que eles façam justamente isso. Mas estes são macroprojetos e temos outros aqui na SDE, como trabalhar o Ceará Veloz, de criar facilidades para que a indústria, comércio e serviços tenha facilidade para gerar novas oportunidades de negócios no Estado.

OE – Quais são as principais ações no setor industrial?
CR – Temos os polos, como o metalomecânico de Tabuleiro do Norte que vai ser inaugurado, o farmoquímico da Guaiúba, o Polo da Saúde do Eusébio, com a Fiocruz, onde o governador estará inaugurando no começo do ao. Então, é um grande pensamento em termo de agregar valor em desenvolvimento econômico. Que as empresas, indústrias e projetos que venham para o nosso estado tenham a ambiência suficiente não só para gerar valor à cidade onde for construída, mas também para as regiões. E aproveitar aquilo que as regiões têm de melhor e possa ser fomentado, seja no turismo, no comércio ou nos serviços.

OE – Temos a única ZPE em pleno funcionamento no Brasil. Quais os projetos que devem vir em 2018 para o Ceará?
CR – O CIPP teve a sua estrutura organizacional modificada pelo governador, sendo agora a CIPP S.A., vinculada à SDE, criando a condição de que o investidor tenha um único canal de comunicação, tenha uma facilidade na interlocução com os órgãos públicos. Grande parte do desenvolvimento industrial do Ceará foi para lá. Temos mais de 17 indústrias, grandes empresas funcionando lá. Temos o principal projeto industrial privado do País em operação desde 2016, que é a CSP, um trabalho que envolveu gestões anteriores, como o ex-governador Cid Gomes. Isso está mudando a realidade do nosso PIB, da balança comercial cearense. A ZPE é um grande mecanismo de desenvolvimento econômico, com uma série de incentivos cambiais, administrativos, fiscais. Junto num olhar com Roterdã percebemos uma nova realidade de investimento para a ZPE; estamos na expectativa de colocarmos a primeira indústria do setor de mármores e granitos; o desenvolvimento do polo siderúrgico, com a CSP. São muitos investimentos e frentes de atração sendo trabalhadas.

OE – O senhor já tem um volume aproximado dos novos investimentos que estão chegando?
CR – Ainda não. Mas só no CIPP temos mais de 27 mil empregos diretos e indiretos, com mais de US$ 10 bilhões em investimentos ali realizados. O Ipece está fazendo um levantamento sobre o impacto que o hub da Air France/KLM/Gol deve trazer ao Ceará. Nossas vinculadas, Adece e Codece estão procurando trazer novos investimentos para o interior do Estado. Hoje, num único decreto, temos todos os detalhes do FDI, que rege os incentivos fiscais, que facilita a ambiência para o investidor ver que tem todas as condições para colocar o investimento e ser beneficiado com isso. Também queremos levar investimentos para outras áreas, além da Região Metropolitana de Fortaleza. Queremos gerar oportunidades naquilo que o Estado está trazendo de investimentos, através da qualificação profissional, pois hoje o Estado tem mais de 125 escolas profissionalizante.

OE – E na questão de infraestrutura e logística?
CR – Temos o programa “Ceará de ponta a ponta”, que são mais de 3 mil quilômetros de melhorias de estradas e duplicações. Há um trabalho muito forte de infraestrutura, pois não adianta dar só o benefício, é preciso criar o entorno para a indústria, como água, gás, energia, logística, a exemplo da Rodovia de Placas, que o Estado está construindo para atender à demanda da CSP. Isso é que fortalece o investimento o radar de novas oportunidades. Já estamos buscando atrair novos centros de distribuição e logística para cá, fazendo do Ceará um grande hub logístico, para as diversas regiões do País.

OE – Como está a questão da Ferrovia Transnordestina?
CR Ela vem avançando e ganhou muito com a entrada do Sérgio Leite, que era o CEO da CSP. Ele é uma pessoa diferenciada, com um olhar muito apurado para isso, mas acompanhamos pois é importante para a questão da integração de modais. O projeto está pronto e será apresentado a diversos investidores para ser concluído, sendo que boa parte dela passa pelo Ceará e é de grande importância.

OE – E sobre a questão de geração de energia no Estado?
CR – Hoje, o Ceará é um dos estados muito forte na condição natural de receber investimentos em energias renováveis, tanto eólica, quanto solar. Temos uma condição natural muito forte, com grandes investidores olhando para cá, queremos participar dos novos leilões de energia e a Adece já entregou o Atlas Eólico de Energias Renováveis, que faz um mapeamento do Estado nas suas possibilidades. Abrimos o leque de facilidades do FDI e, hoje, toda a cadeia de energia é beneficiada. O Estado vem trabalhando muito, junto com o empresariado e outros entes, para que voltemos a ser, novamente, líder em produção de energia renovável no País, pois condições naturais a gente tem.


Fonte: O Estado

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