20 de outubro de 2017 às 07h20m
Uso exagerado de energéticos pode causar hemorragia cerebral, diz médico

Viralizou nas redes sociais a história de Austin, um americano que perdeu parte do crânio e do cérebro por causa de uma hemorragia cerebral causada pelo consumo excessivo de energéticos.

O caso foi contado pela primeira vez na página do Facebook da Endres Photography, um estúdio de fotografias de Sacramento, na Califórnia.

Será que realmente beber muito energético pode causar hemorragia cerebral? Para o médico José Luis Aziz, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, somente se a pessoa tiver algum tipo de predisposição.

“Se a pessoa tiver uma anomalia genética, um aneurisma ou um micro-aneurisma, pode acontecer. O energético aumenta a pressão arterial, rompe o aneurisma e aí surge a hemorragia”, explicou.

Aziz contou que muitas pessoas não sabem que tem aneurisma, pois não apresentam sintomas. Além disso, a maioria dos casos se dá em jovens, como é o caso do americano Austin. “Dependendo do sangramento, o paciente pode perder parte do cérebro, sim”, disse. “Por isso, a história pode ser real”.

Reprodução

O médico alerta que o consumo excessivo de energéticos pode causar outros problemas como arritmia cardíaca, aumento da pressão arterial e até enfarto agudo do miocárdio. “Uma latinha de energético possui até 500 mg de cafeína. Isso equivale a mais de 20 cafezinhos”, disse.

Para Aziz, o uso de energéticos com bebidas alcoólicas é ainda mais perigoso já que ambos são estimulantes do coração. Essas misturas podem provocar arritmias agudas.

A história de Austin

Prestes a se tornar pai, Austin estava em uma rotina muito intensa de trabalho para ganhar um dinheiro a mais. Por isso, ele passou a consumir muito energético. Segundo relato supostamente escrito pela mulher do americano, Brianna, à página da Endres Photography, o rapaz acabou sofrendo uma overdose de cafeína.

No hospital, Austin passou por uma cirurgia e, ao fim da operação, após cinco horas, havia perdido parte do crânio e do cérebro. Ele ainda passaria por outros procedimentos no cérebro. Duas semanas depois, Brianna foi para casa sem saber se o marido sobreviveria.

Assim que Brianna deu à luz o filho que esperava, Austin acordou. Uma semana depois, a mulher foi visitá-lo para contar que o bebê havia nascido. Apenas quando o garotinho tinha dois meses, conheceu o pai.

Hoje, segundo o relato, Austin voltou para casa, mas ainda inspira cuidados.

“Nossa vida não é normal. Há visitas médicas e visitas hospitalares –tantas, que eu perdi a conta. Mas estamos aqui. Lutando”, diz o post. Ou melhor, dizia. Já que foi retirado da página da Endres Photography no Facebook –apesar de ainda constar na home-page da empresa.

Mas a história é real?

Há muitas dúvidas se o relato é verdadeiro. Apesar de repleto de fotos, o post original não trazia o sobrenome do casal ou o local onde vive. No entanto, a fotógrafa Sara Endres, dona do estúdio, garante que sim.

“Sim, tenho consciência de que a história viralizou e não, não tenho nenhuma outra informação sobre essa história. Ainda é a história de Brianna. Vamos respeitá-la”, postou em sua página pessoal no Facebook. Endres também é amiga de Brianna no Facebook.

Em sua página pessoal, a autora do relato conta sobre os desafios de criar um filho pequeno e, ao mesmo tempo, ter de zelar por um marido que perdeu parte do cérebro, se comunica mal, necessita de cuidados o tempo todo e que precisa de uma cadeira de rodas para se locomover.


Fonte: O Estado

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