02 de agosto de 2017 às 07h26m
Pra nunca faltar: a importância de se reaproveitar a água no Brasil

Não é segredo para ninguém que a água é um bem precioso e que está ameaçada. Sim, há quem garanta que a próxima Guerra Mundial terá como principal razão a luta pela posse das reservas hídricas.

Entretanto, antes de se pensar em um problema que tenha consequências com essa dimensão, podemos encontrar pequenas soluções, eficazes e valorosas, para amenizar tais efeitos, soluções singelas e que devem ser implantadas em nossas moradias.


Como já foi bastante debatido e divulgado por O estado Verde, o reuso da água é bastante recomendado. Reaproveitar pequenos recursos hídricos para funções simplórias é de vital importância para o bem-estar do meio ambiente, além de gerar economia para cidadãos, condomínios, empresas, enfim, todos ganham. Nesse processo, a água pode ser tratada (ou nem há necessidade), dependendo da finalidade para a qual vai ser reutilizada.


Para isso, buscamos ajuda especializada e conversamos com a arquiteta Sara Aragão, que tem expertise no assunto. “O mais recomendado para as edificações como projetos habitacionais e condomínios seria o reaproveitamento das águas residuárias de origem proveniente de lavatórios, chuveiros, banheiras, máquinas de lavar roupa, máquinas de lavar louça e pia de cozinha através do uso da técnica de wetlands, e o reaproveitamento de águas pluviais pela captação de água da chuva pela cobertura das edificações através de calhas e de um condutor vertical que a encaminham até uma cisterna ou tanque para o seu armazenamento”, explica Sara.

Ajuda vem do céu


Fortaleza já possui bons exemplos de empreendimentos que se preocupam com a Natureza e buscam o reaproveitamento, pelo menos das águas provenientes de chuvas, como é o caso do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins, da LC Corporate Green Tower e da moderníssima Arena Castelão, fora tantas outras empresas que também desenvolvem tais ações.
“Essa técnica [armazenamento água das chuvas] pode reduzir o consumo hídrico da rede pública e evitar a utilização de água potável onde esta não é necessária, como por exemplo, na descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins, lavagem de pisos. O investimento financeiro para a sua execução é bem baixo e o retorno financeiro é obtido em dois anos e meio”, detalha a arquiteta, que vai além. “Pode gerar, no total, uma economia de até 50% no consumo da edificação”, conclui.

Exemplo


Sara Aragão nos deu o exemplo – excelente, diga-se de passagem – da primeira residência certificada no Brasil (Leed For Homes – condição Prata), quer fica situada dentro de um condomínio fechado em Campinas, interior paulista. O imóvel foi todo projetado e construído voltado para o reuso da água das chuvas, reaproveitando recursos produzidos na própria residência, devidamente tratada no local e reutilizada, tudo com a avaliação de profissionais, que compõem um coletivo sustentável.
Que o empreendimento certificado vire exemplo para o Brasil inteiro. O País passou a viver, a partir de 2014, os primeiros grandes focos daquilo que pode ser a maior crise hídrica de sua história. Com um problema grave de seca e também de gestão dos recursos naturais, estamos vivenciando níveis baixos em nossos reservatórios em épocas do ano em que eles costumam estar bem mais cheios. Essa ocorrência, de certa forma, representa uma grande contradição, pois o Brasil é considerado a maior potência hídrica do planeta. Mas nem por isso estamos imunes, muito pelo contrário.

É bom abrir o olho e fechar a torneira


Muitos acham que a água é um recurso inesgotável, mas a verdade é que água é um bem limitado, dotado de valor econômico, segundo a lei 9.433/1997, artigo 1º. De acordo com a ONU, em relatório feito em 2001, em menos de cinquenta anos, mais de quatro bilhões de pessoas, ou 45% da população mundial, estarão sofrendo com a falta de água.

Devido a essa pavorosa projeção que estamos cada vez mais induzidos a praticar a reutilização de água de forma benéfica para diversos usos. O reuso de água também se justifica porque, além de mudanças climáticas, o cenário mundial revela a deterioração da qualidade da água dos mananciais, de modo proporcional à expansão demográfica. Além disso, os custos dos serviços de abastecimento público de água (tratamento e distribuição) fazem com que a sociedade exija alternativas tecnológicas que promovam a redução do consumo e a conservação dos recursos naturais.


Fonte: O Estado

Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos reservados para avol.com.br - no ar desde 2001