19 de julho de 2017 às 07h45m
WWF-Brasil: projeção avalia que seca atingirá todo o Brasil; Ceará vulnerável

Secas e estiagens representam a categoria de desastres naturais com maior registro de ocorrências no país, representando cerca de 70% dos municípios atingidos por algum desastre em 2013. Isso significa que 12 milhões de pessoas foram afetadas pela seca nesse ano

Um estudo recente, que utiliza projeções do clima futuro, indica que a tendência é haver o aumento da frequência e severidade das secas em praticamente todo o território nacional. Neste trabalho, uma das conclusões é que a região Centro-Oeste deve ser uma das mais impactadas, com clima ainda mais quente e diminuição das chuvas para as próximas décadas.

Estes e outros dados estão no estudo Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas (IVDNS) no Contexto das Mudanças do Clima, que o WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Integração lançaram no último dia 12, com apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). A análise da vulnerabilidade do Brasil traz uma visão integrada do desastre, tendo como ponto de partida um índice composto por variáveis e subíndices que fazem sua representação em três dimensões: climática, socioeconômica e físico-ambiental.

Metodologia
De acordo com Everton Lucero, secretário de Mudança do Clima e Florestas do MMA, o material surgiu como uma resposta à lacuna de estudos sobre a vulnerabilidade do país às secas e estiagens no contexto da mudança do clima, visando contribuir para o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), cuja discussão começou em 2013 e culminou no seu lançamento, em 2016.
“O estudo traz uma metodologia inédita que quantifica a vulnerabilidade dos municípios brasileiros aos desastres decorrentes de secas. O resultado deste trabalho pode contribuir com a gestão de risco para este tipo de desastre, já para os próximos anos, mas também subsidiar as estratégias de adaptação que visam minimizar os impactos da mudança do clima nas próximas décadas”, comenta Lucero. Ainda de acordo com ele, com o estudo “será possível até mesmo contribuir para a elaboração ou revisão de iniciativas e políticas públicas relacionadas ao tema”.

Análise integrada
O pesquisador Pedro Ivo Camarinha, um dos autores do trabalho, ressalta que a importância deste estudo não se faz apenas pela avaliação do clima futuro, mas principalmente por relacionar características ambientais, socioeconômicas e demográficas para entender o quão vulnerável os municípios brasileiros são. Segundo Camarinha, com este tipo de análise integrada foi possível identificar que em alguns locais o clima não é o grande vilão da história, como se pensava.

“Em algumas regiões do Nordeste brasileiro, por exemplo, grande parte de desastres pode ser explicado pela falta de capacidade das populações em lidar com as situações de secas, característica esta explicitada pelos baixos índices de desenvolvimento humano (IDH), pela taxa de analfabetismo, pela desigualdade social, e problemas com a gestão do uso do solo e da água. Já no Sudeste, apesar das mudanças do clima serem, em geral, mais amenas, a alta concentração demográfica e problemas de gestão dos recursos hídricos podem resultar em grandes impactos, mesmo com pequenas alterações nos padrões climáticos”, comenta.

 

Alguns resultados que o estudo nos revela

A vulnerabilidade aos desastres naturais de secas tende a se elevar por todo o território brasileiro;

As maiores anomalias climáticas já são observadas no primeiro período de análise (2011-2040), trazendo ainda mais urgência para a implementação de medidas de adaptação e políticas públicas de gestão de risco;

O Centro-Oeste é uma das regiões de maior vulnerabilidade. O clima tende a ser mais quente e seco, com secas mais frequentes e severas nas próximas décadas;

A porção ao norte do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará também se destaca como uma das mais vulneráveis aos efeitos da mudança do clima no que se refere às secas;

No caso mais crítico, o Maranhão, há evidências de novos cenários de risco às secas severas nos próximos anos, tendência esta que concorda com as ocorrências de secas já observadas nos últimos anos.

Para o Sudeste Brasileiro (com exceção do norte de Minas Gerais), a tendência observada, mesmo que amena, é de aumento de períodos mais secos no futuro;

Na região Sul, os efeitos da mudança do clima tendem a intensificar a ocorrência de secas em parte do Rio Grande do Sul e do Paraná.


Fonte: O estado

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