03 de maio de 2017 às 07h32m
Monsenhor Tabosa: atenções voltadas ao corredor turístico

Fortaleza, como é sabido por todos, sempre foi um dos principais polos turísticos do Nordeste e também do País.

Com praias paradisíacas, hospitalidade e enorme potencial econômico, a capital cearense atrai não só turistas em passeio, como também aparece muito bem ranqueada – mais precisamente na nona posição, segundo pesquisa da Demanda Turística Internacional – na procura por turismo estrangeiro visando negócios.


Já que estamos destacando negócios e turismo, é impossível citá-los e não falarmos da Avenida Monsenhor Tabosa, um dos símbolos do comércio turístico fortalezense. Situada entre as ruas Almirante Jaceguai e João Cordeiro, no centro histórico da cidade, a Monsenhor Tabosa abriga mais de 460 empreendimentos logísticos voltados para a venda de roupas, calçados, bolsas, entre outros produtos, distribuídos em aproximadamente 700 metros de extensão.

Considerado um grande corredor comercial a céu aberto, a Avenida, em breve, será um belo corredor turístico. O projeto, de autoria do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho – e já aprovado pela Casa, visa incluir o equipamento na legislação dos tais corredores, o que seria estratégico para a economia turística da Capital, já que a via está diretamente conectada a outros pontos de visitação como o Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, a feirinha da Avenida Beira Mar e o Mercado Central, ou seja, se estabeleceria uma unificação da rota turístico-comercial.

Requalificando


Todo esse projeto faz parte do plano de requalificação do bairro de Iracema, que inclui toda a extensão da Praia de Iracema, entre outros atrativos turísticos. Tudo bem, há anos ouvimos que toda aquela área será revitalizada, já que a ideia não tão nova assim, porém só agora está sendo posta realmente em prática. É o que nos garante Alexandre Pereira, titular da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor).
“A Monsenhor Tabosa é um verdadeiro ícone da nossa cidade, no entanto vinha sofrendo uma influência negativa nos últimos tempos, devido às obras que nunca acabavam e que impediam o funcionamento normal do comércio. Inclusive, a limitação do horário de funcionamento também era um fator que pesava. Mas agora o projeto será concretizado e teremos um lugar melhor. A Avenida sempre foi um ponto importante para Fortaleza, e voltará a ser”, diz Alexandre.

O secretário explica que o lado sustentável não será deixado de lado. “Nos preocupamos sim, com a sustentabilidade, com o aspecto ecológico e até por isso teremos em breve uma capacitação dos empresários ligados à Monsenhor Tabosa e lá debateremos questões de uma melhor arborização do espaço, a questão das lixeiras, com a separação correta dos materiais, entre outros fatores importantes dentro dessa realidade, desse contexto”.

Atenção


A propósito, por falar em lixeiras, O estado Verde foi até a via em questão e constatou que alguns suportes estão sem seus devidos depósitos de lixo, o que é uma falha grave, diga-se de passagem. Entretanto, em contato com a Associação dos Lojistas da Monsenhor Tabosa (Almont), tivemos a informação de que tudo isso será normalizado em breve.


Segundo palavras de Márcia Sérgia, presidente da entidade, a situação já é conhecida. “Sabemos do problema, estamos estudando a recolocação de novas lixeiras, assim como a separação para coleta seletiva”, afirma a comerciante que destaca que as mudanças serão extremamente benéficas para todos.

“Através dessa inserção oficial como corredor turístico, teremos flexibilidade no horário de funcionamento que hoje, pode ser sim, considerado um gargalo para o espaço. Além disso, a expectativa é de ampliar e trazer novos investidores para a via, principalmente nos setores de bar, restaurante, cafeteira e galeria de arte. Trazendo, assim, vida noturna e cultural para a avenida.”

Extensão da hora


A questão do horário de funcionamento citado pela presidente também foi abordada por Alexandre Pereira. O plano é que tudo funcione até as 21 horas. “Uma das alterações na Monsenhor Tabosa, que faz parte dessa readequação do lugar, é o horário de abertura e fechamento dos empreendimentos”, esclarece o secretário.


“Com as lojas trabalhando apenas em horário comercial, como era antes, os turistas iam para praias e passeios, daí quando voltavam no fim da tarde para consumir e encontravam o comércio fechado. A tendência, agora, é que as lojas funcionem à noite, facilitando a vida dos turistas, dos cidadãos fortalezenses, esse é um ponto bastante positivo”, garante.

Bom exemplo


Há um bom exemplo que pode, guardadas as devidas proporções, nortear o novo funcionamento da Monsenhor Tabosa. Trata-se da chique Oscar Freire, uma rua cosmopolita no conceituado bairro dos Jardins, em São Paulo, que abriga as vitrines das marcas mais famosas e luxuosas do Brasil.
Vale ressaltar que a comparação fica somente no campo teórico, já que os lugares têm públicos-alvo diferentes, ficando o exemplo do funcionamento: a rua paulistana fica “aberta” normalmente até as 22 horas, como um shopping a céu aberto e assim, atrai milhares de consumidores todas às noites, de todos os cantos do País, principalmente aqueles que vão à capital paulista a negócios e que durante o dia ficam impedidos de consumir.


João Marcos Oliveira, empresário proprietário de um barzinho nas imediações da Praia do Futuro, explica que tem interesse em abrir uma unidade de seu empreendimento na Monsenhor Tabosa, quando realmente passar a funcionar de noite.

“Ali será um ponto de interseção, envolvendo turistas e moradores da Capital, mais ou menos como acontece no Dragão do Mar, movimentado e atrativo para todos. Tenho total interesse em estender uma filial dos meus negócios para lá, com a plena certeza de que rapidamente se tornará um polo turístico ainda mais procurado”, revela.

Manutenção verde


Vale a lembrança de que a avenida sofreu um primeiro processo de requalificação por parte da Prefeitura há pouco mais de dois anos (quando Fortaleza sediou jogos da Copa do Mundo), graças a um incentivo do Ministério do Turismo – e um aporte de quase R$ 6 milhões.


Foram realizadas obras de drenagem em toda a área, com a devida pavimentação, calçadas adequadas a quem tem precisa de acessibilidade, com piso antiderrapante, além de mais 40 caramanchões espalhados por toda a via, melhorando o sombreamento e valorizando a arborização.
Segundo a Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (URBFor), apesar de toda a mudança na Monsenhor Tabosa, a quantidade de árvores e plantas existentes na área não será alterada, pelo menos não agora, o que não é uma boa notícia para a dimensão ecológica do projeto.


A Almont afirmou que possui alguns projetos que estão em fase de construção e que podem ser lançados no segundo semestre com relação à coleta seletiva e aproveitamento de insumos – já que ainda há fábricas na área, além de estimular a interação entre comunidade e avenida para conservação dos jardins.

Opinião


Para o economista Marcelo Cabral, é preciso sincronizar a evolução do espaço com o meio natural. “A transformação em corredor turístico, através de projeto aprovado pela Câmara Municipal, deverá provocar uma melhoria econômica para lojistas e entorno”, disse.


“Porém, é preciso melhorar a infraestrutura, repor algumas espécies vegetais que morreram devido à falta de cuidados, realizar a instalação de lixeiras, tudo para garantir a sustentabilidade do espaço e a não agressão ao meio ambiente. Importante olhar todos os lados”, encerra.


Fonte: O Estado

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