28 de abril de 2017 às 09h08m
Ceará é referência na sustentabilidade rural”

Alceu Galvão é coordenador de Saneamento Básico da Secretaria Estadual das Cidades do Ceará, e considerado um dos profissionais mais preparados no Estado para falar de saneamento, por isso buscamos o especialista para nos esclarecer um pouco mais sobre o Sistema de Informações sobre Saneamento Rural (Siasar) e suas benesses

O coordenador acaba de participar da III Assembleia Regional do Siasar, realizada na cidade de Cali, na Colômbia, e fala também de suas impressões e troca de experiências por ocasião do importante evento.

O estado Verde [OeV]: Alceu, para quem não está por dentro do assunto, como funciona esse projeto de saneamento rural, monitoramento da cobertura, qualidade do abastecimento de água. Explique-nos a essência do mesmo.
Alceu Galvão [AG]: Uma das principais características do setor de saneamento básico é a sua forte assimetria de informações, além da ausência de dados. Se para as áreas urbanas, isto acontece, no rural é regra geral em todo o País e no mundo como um todo. Ou seja, não há informações disponíveis para que os gestores públicos tomem decisões apropriadas para a realização de investimentos para expansão e universalização dos serviços, além da melhoria da qualidade da prestação dos serviços.

Desta forma, o projeto que ora se inicia, intitulado Siasar, pioneiro no Brasil, possibilitará ao Governo do Estado e a qualquer cidadão do mundo, dispor de informações atualizadas sobre as condições do abastecimento de água e esgotamento sanitário nas localidades rurais do Ceará, pois para sua implantação será realizado um diagnóstico amplo do setor nas áreas rurais.
Com isto, o Ceará que já é reconhecido internacionalmente pela experiência de modelo de gestão, por meio do Siasar, poderá melhor direcionar seus investimentos, atuar em comunidades que realmente apresentam déficit e trabalhar suas políticas públicas de saneamento para o campo, integradas com outras áreas.

OeV: Como se deu a participação do Ceará na III Assembleia Regional do Siasar, realizada em Cali, na Colômbia? O que o Estado mostrou de positivo ao mundo e o que trouxe de bom do evento? Como foi essa troca de informações?
AG: Anualmente, os países membros do Siasar, juntamente com o Banco Mundial, se reúnem para avaliar as ações realizadas e os avanços alcançados na implantação do sistema no ano anterior, planejar os próximos passos bem como tomar decisões acerca do aperfeiçoamento sistema ferramenta. A delegação do Ceará contou com 10 membros, entre eles, o secretário das Cidades, Jesualdo Farias. Foi apresentada a nova versão do sistema, denominada 2.0, em parte desenvolvida pela equipe de Tecnologia da Informação da Secretaria das Cidades, a qual possibilita melhor interface com o usuário, além de uma versão app para telefone celular. Além disto, a equipe do Estado apresentou aos demais países, a experiência do Sisar e, apoiou, por meio de vários encontros específicos, a delegação de Moçambique, convidada para participar da Assembleia. Moçambique deverá ser o primeiro país fora do continente americano a aderir ao sistema.

OeV: O que podemos falar do projeto piloto de implantação do Sistema de Informação sobre Água e Saneamento Rural (Siasar), desenvolvido pelo Ceará em 2016 de forma pioneira no Brasil, no município de Aracati? A avaliação é positiva? Hoje, em que pé está e qual o estágio de expansão do processo para as demais cidades?
AG: A avaliação do piloto de Aracati foi muito positiva, pois nos permite incorporar lições aprendidas durante a coleta de dados, além de permitir ter uma visão dos problemas que as localidades do município apresentam no saneamento rural. Aquilo que foi assimilado em Aracati será incorporado na expansão do sistema para as demais localidades no Estado. Neste sentido, por meio de financiamento do Ministério da Integração, serão inseridos no sistema dados de localidades rurais de 126 municípios do estado, com previsão de início para o 20 semestre deste ano.

OeV: Diante do que foi debatido e discutido no evento colombiano, quais as expectativas para o futuro do saneamento rural? A universalização da água e do esgoto é uma meta que ainda está muito distante da realidade?
AG: Importante observar que para universalizar o saneamento rural é preciso ter a informação precisa de qual é o desafio, ou seja, quantas pessoas não têm acesso aos serviços de água e esgoto; dos que têm acesso, quantas têm fornecimento com qualidade de água fora dos padrões de potabilidade; qual o montante de investimentos e onde se deve investir; e quais os critérios de hierarquização destes investimentos. Assim, o SIASAR poderá colaborar com o Estado e a própria sociedade a trazer respostas a todas estas indagações, contribuindo desta forma para que a realização dos investimentos ocorra de forma mais célere e eficaz.

OeV: Há o devido investimento com relação a isso no Ceará?
AG: No Brasil, o estado do Ceará, como dito anteriormente, é uma referência no saneamento rural. No passado e atualmente, há muitos projetos em andamento com apoio dos bancos internacionais (BID, BIRD e KFW) e do Governo Federal, além de recursos do próprio tesouro, os quais tem oportunizado a ampliação dos serviços. Neste sentido, no período de 24 a 27 de abril, em mais um esforço do Governo do Estado, receberemos uma missão do Banco KFW com vistas a negociação de um novo empréstimo exclusivo para o saneamento rural, no montante de 50 milhões de euros, mais 20 milhões de euros de contrapartida. Porém, ainda há muito por fazer, e o SIASAR irá colaborar para o dimensionamento correto do montante de recursos ainda a ser investido.

OeV: Para finalizar, qual a mensagem que o sertanejo, residente de comunidades distantes da realidade da cidade grande e que vive às voltas com a seca, pode ter do governo? Há esperança de mudança no cenário?
AG: Deve-se ter clareza de que o Governo do Estado tem dado relevância ao saneamento rural ao longo dos últimos anos, mesmo num cenário de escassez hídrica e de recursos financeiros. Assim, junto com os diversos parceiros nacionais e internacionais, diversos projetos e programas têm sido efetivados, melhorando assim, a qualidade de vida do homem do campo. Trata-se de um esforço permanente, até o alcance da tão almejada universalização.


Fonte: O Estado

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