11 de fevereiro de 2017 às 06h56m
Preocupação com o lixo: boas soluções podem minimizar os efeitos na natureza

Fortaleza, em 2015, foi considerada a cidade com maior volume de lixo gerado e coletado por habitante, ou seja, no fim das contas o gasto com isso é exorbitante.

O prefeito Roberto Cláudio falou há poucos dias em aproximadamente R$ 220 milhões como custos anuais para tal atividade, valor considerado muito acima do normal e que poderia ser empregado, por exemplo, em medicamentos para a população, segundo o administrador da Capital cearense.
Roberto Cláudio mostrou-se preocupado, em seu discurso de abertura dos trabalhos legislativos, com os “lixões” e pediu ajuda para combatê-los. “Essa é uma área que a resposta emergencial, quando vê o lixão, é coletar.

Acumulou o lixo, tem de passar o caminhão para coletar, há uma cultura na cidade, e não é por acaso, quanto mais coleta, mais lixo”. O prefeito alertou que o objetivo não é só coletar, já que o custo só eleva, que inovações para diminuir a produção de resíduos sólidos fazem parte das soluções, combater o foco e não a consequência. Isso tudo sem falar nos objetos que não entram nessa estatística por terem um descarte incorreto.
Está certo o prefeito fortalezense em se preocupar em reduzir a quantidade de lixo gerada por cada cidadão ou esse seria um caminho utópico? Acreditamos que a angústia de Roberto Cláudio seja a mesma de outras tantas pessoas que não aceitam o fato de que os resíduos sólidos em demasia vão acumular nos “lixões” e consequentemente trazer doenças e males ao meio ambiente, dentre outros tantos fatores negativos.

Eis que surgem questionamentos que podem ajudar a resolver a inquietação do prefeito e amenizar os tormentos causados pelos depósitos de lixo a céu aberto, e olha que é um tema bastante debatido em O estado Verde, há anos isso é abordado por nós. Por que não reaproveitar o que é desprezado pela população? O que falta para que haja uma consciência geral de que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é, de fato, o melhor caminho a percorrer?

Recapitulando a PNRS
A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.
Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).

Logística reversa


Você já ouviu falar em “logística reversa”? Se sim, parabéns, mostra que você está antenado com a responsabilidade ambiental. Caso não saiba do que se trata, nós explicaremos. O processo da logística reversa responsabiliza as empresas e estabelece uma integração de municípios na gestão do lixo. Neste processo, os produtores de um eletroeletrônico, por exemplo, têm que prever como sedará a devolução, a reciclagem daquele produto e a destinação ambiental adequada, especialmente dos que eventualmente poderão retornar o ciclo produtivo.

Ou seja, as empresas fabricantes/vendedoras de determinados produtos precisam se preocupar com o destino final de tudo isso. É lei, regulamentada no Decreto Nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010. De acordo com o artigo 15 do Decreto, os sistemas de logística reversa serão implementados e operacionalizados por meio de: acordos setoriais (contratos firmados entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, onde partilham a responsabilidade pelo ciclo de vida do produto); regulamentos expedidos pelo Poder Público; ou termos de compromisso.

Como se faz…


A Coalizão Embalagens, sob liderança do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), apresentou no dia 1º de fevereiro, para o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, em Brasília, o relatório com os resultados preliminares do Acordo Setorial de Embalagens.
Assinado no final de 2015, o Acordo promove a reciclagem de embalagens em geral desenvolvendo um plano de gestão de resíduos dentro do contexto da logística reversa, que tem a meta de reduzir em 22% a quantidade de embalagens pós-consumo destinadas a aterros até o fim de 2017. Segundo dados preliminares, o Sistema de Logística Reversa de Embalagens, implantado pela Coalizão, registrou ações em 422 municípios de 25 estados brasileiros, alcançando 51,2% da população brasileira.

“A Coalizão Embalagens é formada por 28 associações do setor empresarial do País que estão engajadas na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Apresentamos hoje, juntamente com associações signatárias, as realizações que estão sendo desencadeadas para alcançarmos a meta da primeira fase desse acordo”, comenta Vitor Bicca, presidente do Cempre.

De acordo com o relatório, 702 cooperativas foram apoiadas e 3.151 ações de estruturação para adequar e ampliar a capacidade produtiva das cooperativas que foram realizadas entre 2012 e 2016. “De fato, agindo dessa forma, poderemos avançar nas emissões evitadas, contribuindo para a economia necessária de baixa emissão de carbono”, afirmou Sarney Filho.

No período, também foram instalados 2.103 pontos de distribuição voluntária (PEV) e desenvolvidas 7.861 ações para estruturação, implementação, operação e manutenção dos pontos. “O Acordo Setorial de Embalagens representa um grande avanço na lei que instituiu a PNRS”, reforça Bicca. “Dando continuidade às ações que incentivam a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e população, estamos no caminho certo para alcançar as metas do acordo e promover a destinação adequada das embalagens pós-consumo no Brasil”, finaliza.

Um belo exemplo


Unindo inovação e sustentabilidade, há dez anos surgiu o programa que propõe a troca de material reciclável por descontos na fatura de energia, com a responsabilidade socioambiental, benefícios para a população e para o meio ambiente. Para celebrar o programa, hoje, terça-feira (07), acontecerá na Enel Distribuição Ceará a solenidade de 10 anos do Ecoenel, com a palestra da jornalista Marina Klink, abordando o tema “Contexto do Programa Ecoenel no panorama mundial da Sustentabilidade”.

Em atuação desde janeiro de 2007, o programa já atendeu 610.703 clientes cadastrados, contabilizou 77.530 toneladas de resíduos e concedeu R$ 5.255.737,00 em descontos na conta de luz, com uma economia de energia na ordem de 134.129.606 kwh, representando o consumo anual de um município como Caucaia, na zona metropolitana de Fortaleza e segunda maior cidade em quantidade de domicílios do Ceará, com 111.775 residências com o consumo médio de 100 kwh/mês.
Latas de bebida, copos, garrafas de plástico e livros velhos: todos esses materiais podem ser reciclados. E não apenas materiais sólidos. O óleo de cozinha, utilizado nas frituras da cozinha, é um resíduo que também pode ser doado e reutilizado. Inclusive, o Ecoenel arrecadou aproximadamente 213.963,15 mil litros de óleo, gerando cerca de R$ 59.262,33 mil em bônus na conta de energia.

Prefeito Roberto Cláudio, demos dicas valorosas de como agir para com os resíduos sólidos produzidos pela população fortalezense. Soluções absolutamente viáveis, interessantes, inovadoras e que ainda protegem o meio ambiente. Vamos abrir bem os olhos e entender que jogar uma embalagem no lixo, por exemplo, pode (e deve) ser apenas o início de um novo ciclo na vida daquele produto, gera renda e contribui diretamente para que os “lixões” sejam exterminados. Podemos fazer muito mais do que fazemos atualmente.


Fonte: O Estado

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