14 de janeiro de 2020 às hm
Relação entre Cervicalgia e Disfunção temporomandibular

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Estudos Clínicos tem demonstrado que a coluna cervical pode ser fonte de dor e disfunção na área orofacial. Por outro lado, é comum  pacientes  com DTM (disfunção temporomandibular), proveniente de alguma patologia na ATM,  apresentarem sinais e sintomas clínicos compatíveis com desordens da coluna cervical.

Uma das razões desta ligação tão íntima entre as duas partes do corpo são as fáscias. A fáscia superficial cervical, por exemplo, está ligada da cervical até o quadril posteriormente ao corpo. E anteriormente, da mandíbula até a pelve (SOUCHARD, OLIVER, 2001).

As tensões se transmitem passando de uma estrutura próxima para a mais distante ao longo de uma cadeia miofascial (ADLER, BECKERS, BUCK, 2001).

Existem cadeias inteiras de mais de um músculo unidas por um único conjunto de fáscias específicas. Elas podem ser o caminho para se descobrir a causa de dores que atrapalham o dia-a-dia.

A ATM não deve mais ser vista exclusivamente parte do aparelho mastigatório, mas, sim, como uma estrutura que participa do corpo todo e também dos processos respiratório, bioquímico e emocional (STEENKS; WIJER, 1996).

Ser capaz de identificar se os problemas são ascendentes (da coluna para a cabeça) ou descendentes (da cabeça para a coluna) é o grande passo para o tratamento do paciente.

Conforme Vieira et al. (2004) devido à relação existente entre os músculos da cabeça e da cervical com o sistema estomatognático, iniciaram-se estudos que visavam confirmar que alterações posturais da cabeça e de toda coluna vertebral poderiam levar a um processo de desvantagem biomecânica da ATM, levando a um quadro de disfunção temporomandibular

Um exemplo disso é a alteração postural global do paciente tendo como origem a má postura mandibular. Isto porque a caixa craniana se equilibra em duas articulações: uma é a ATM e a outra é a articulação do crânio com a coluna cervical (BUTLER, 2003).
Além disso, o sistema estomatognático está diretamente conectado ao sistema muscular por intermédio dos músculos da abertura da boca e do osso hióide, que apresenta um papel importante como pivô entre a ATM e a coluna cervical (BRICOT, 2004).
Há também uma ligação da ATM com a coluna cervical através da musculatura que serve de contra-apoio à oclusão e deglutição: ECOM, trapézio, peitorais, etc. (BRICOT, 2004).

Quando a mandíbula se encontra fora da posição fisiológica, pode ocorrer alteração na posição do crânio e conseqüentemente alteração na relação do crânio com a coluna cervical e em toda a coluna vertebral. Com isso o paciente pode ter além de dores faciais, cefaléias, cervicalgias e cervicobraquialgias, dores lombares, dores nas pernas e pés (BRICOT, 2004; STEENKS; WIJER, 1996).

O equilibrio das conexões musculares entre o crânio, a mandíbula, o osso hioíde inferior e o esterno seu efeito resultante sobre a postura da cabeça através dos músculos do pescoço por sobre o fulcro das vértebras cervicais encontra-se esquematizado. Um
desequilíbrio entre e/ou estruturas pode causar uma acomodação muscular do grupo antagosnista ou dando a estrutural à dentição, à ATM ou a ambos (SALOMÃO, 2001).

O papel que a ortodontia exerce no sistema postural é imenso, podendo ser benéfico ou não. O simples fato de alinhar um dente não é algo sem conseqüência para o sistema postural. Estudos sobre a escoliose concluíram que grande parte delas ocorreu após a colocação de um aparelho ortodôntico (WODA, 1977; MEYER e BARON, 1976).

De acordo com ROCABADO (1982), tem sido relatado que vários pacientes com disfunção craniomandibular sofrem, de disfunção craniocervical. A falha de reconhecer e tratar a disfunção craniocervical na conjunção com a terapia craniomandibular sempre resulta no relapso da articulação temporomandibular nos pacientes reabilitados.

Uma alteração postural comum é o posicionamento anterior da cabeça. Esta posição leva a hiperextensão da cabeça sobre o pescoço, com retrusão da mandíbula, podendo causar dor e disfunção na cabeça e pescoço. (ARELLANO, 2002).

Esses problemas podem induzir disfunção, seja favorecendo a fadiga dos músculos cervicais, aparecimento das áreas de disparo (trigger points) e indução de dores craniofaciais seja determinando um deslocamento do osso hióide e, indiretamente uma alteração de posição postural da mandíbula (MONGINI, 1998).

Esta posição leva a hiperextensão da cabeça sobre o pescoço, quando o paciente corrige para as necessidades visuais, flexão do pescoço sobre o tórax, e migração posterior da mandíbula. Estes fatores podem levar a dor e disfunção na cabeça e pescoço (GOULD, 1993).

Inúmeros trabalhos tem demostrado influência das Desordens da ATM como causas de cervcalgias e vice-versa. A postura de projeção anterior da cabeça leva a compressão de estruturas nervosas, miofasciais, alterando a curvatura fisiológica cervical, desestruturando cintura escapular, levando à progressão do desequilíbrio postural.

A partir dos dados acima, pode-se entender que no tratamento de uma lesão em coluna cervical e/ou da ATM deve-se levar em consideração não só a cervical e/ou a ATM, mas também, os ossos do crânio e, o sistema postural, entre outros.

 

DR ANTONIO VIANA C JUNIOR (fisioterapeuta)

Especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica

Tratamento de Disfunções da ATM

Pós- Operatório de Cirurgias Ortognátcas

Dores da Col. Vertebral

(85)99955-7355


 

REFERÊNCIAS
01. ADLER; BECKERS; BUCK PNF – Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva – Um guia ilustrado. São Paulo: Manole, 2001.
02. BRICOT, B. Posturologia. São Paulo: Ícone, 2004.
03. BUTLER, D. S. Mobilização do Sistema Nervoso. São Paulo: Manole, 2003.
04. CLAY, J. H.; POUNDS, D. M. Massoterapia Clínica – Integrando anatomia e tratamento. São Paulo: Manole, 2003.
05. KAPANDJI. I. A. O tronco e a coluna vertebral. São Paulo: Manole, 2001.
06. MARZOLA, T. N. Classificação tipológica de pacientes – contribuição da psicologia à odontologia. Monografia para bacharel em psicologia apresentada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Sagrado Coração de Jesus”. Bauru, 1974.
07. MARZOLA-TEDESCHI, F. PASQUAL-MARQUES, A. MARZOLA, C. Contribuição da fisioterapia para a odontologia nas disfunções da articulação temporomandibular. Rev. Odonto Ciência, v. 17, n. 36, p.119-34, abr.,/jun., 2002.
08. MEYER, J. BARON, J. B. Participation des afferénces trigéminales à la regulation tonique posturale. Aspects statiques et dynamiques. Agressologie. v. 17, p. 33-40, 1976.09. PERES, A. C.; PERES, R. L. Postura e oclusão – uma relação de interdependência. Jornal APCD, 26/04/2002 (artigo retirado do site www.ortoperfil.com.br).
10. SOUCHARD, P.; OLIVER, M. As Escolioses. São Paulo: E Realizações, 2001.
11. STEENKS, M. H.; WIJER, A. Disfunções da ATM – Ponto de vista da fisioterapia e da odontologia. São Paulo: Ed. Santos, 1996.
12. SUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle Motor – teoria e aplicações práticas. São Paulo: Manole, 2003.
13. WODA, A.; VIGNERON, P. Contacts occlusaux. CDP v. 19, p. 61-81, 1977.

 




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