21 de abril de 2022 às hm
Dor de Cabeça e Disfunção da ATM

   


 
A variedade mais freqüente na população,  denominada de cefaléia tipo tensional,  é normalmente associada a uma sensação de aperto na cabeça, de ambos os lados e pode chegar a comprometer muito a qualidade de vida quando se manifesta de maneira crônica diária.
 
A própria OMS admite que esse tipo de dor de cabeça parece estar ligada aos problemas músculos-esqueléticos, fato que é bastante curioso pois, em teoria, a cefaléia crônica diária é classificada como do tipo primária, ou seja que ela é a doença em sí. Isso coloca a Articulação Têmporo-Mandibular (ATM) no centro do debate, pois fora a musculatura da mímica facial, o maior grupamento muscular que pode ser fonte de DOR  “na cabeça” é a musculatura mastigatória.
 
Na prática, muitos pacientes são diagnosticados como tendo uma cefaléia primária do tipo tensional crônica diária, quando em realidade têm uma cefaléia secundária a uma patologia da ATM!Isso faz com que muitas pessoas passem anos com um tratamento paliativo da dor de cabeça, à base de antiinflamatórios, quando na verdade possuem uma patologia na ATM que precisa ser tratada!
 
Se você sofre de dor de cabeça de forma freqüente e já notou algum sintoma indicativo de patologia na ATM tais como: estalidos articulares logo à frente do ouvido, desvio na abertura e fechamento da boca, dificuldade e/ou desconforto ao mastigar ou mesmo dor na área da ATM (logo à frente da orelha), é melhor procurar um profissional de saúde que posso investigar uma possível presença de uma patologia da ATM.
 
A disfunção temporomandibular (DTM) corresponde a um conjunto de condições articulares e musculares na região crânio-orofacial que pode desencadear sinais e sintomas como dores na região da ATM, cefaléia, dor nos músculos da mastigação, otalgia, dor facial, limitação funcional, dor cervical, cansaço, limitação de abertura de boca, dor durante a mastigação, zumbido, dor na mandíbula, dentre outros. A somatória ou a exacerbação desses sinais e sintomas acaba por limitar ou mesmo incapacitar o indivíduo em suas atividades fisiológicas
 
Embora a etiologia da DTM não esteja totalmente elucidada, em geral tem caráter multifatorial e pode envolver alterações na oclusão, restaurações ou próteses mal-adaptadas; lesões traumáticas ou degenerativas da ATM; alterações esqueléticas; fatores psicológicos e emocionais; ausências dentárias, mastigação unilateral; má-postura e hábitos orais inadequados. Geralmente, apenas um fator isolado não é desencadeante da disfunção, mas sim a associação entre eles. As disfunções podem ser classificadas em extra e intra-articulares, ou disfunções dos músculos mastigatórios e disfunções intra-articulares e podem envolver uma abordagem interdisciplinar para seu tratamento
 
A cefaléia consiste em qualquer dor referida no segmento cefálico, sendo uma manifestação extremamente comum. Na população geral, durante o curso da vida, a prevalência de cefaléia é maior que 90%, representando o terceiro diagnóstico mais comum (10,3%) nos ambulatórios de neurologia. Ainda não é bem compreendida a relação entre a DTM e os diferentes tipos de cefaléias, mas a dor de cabeça é provavelmente o sintoma mais comum e a queixa mais relatada pelos portadores de DTM; indícios clínicos são fortemente sugestivos da aproximação entre essas duas afecções
As cefaléias relacionadas à DTM e estruturas do crânio são consideradas na classificação da International Headache Society (IHS) de 1988; em 2004, foram incluídas na categoria IHS.11: Cefaléia ou dor facial associada com distúrbios do crânio, pescoço, desordens da ATM, músculos mastigatórios e outras estruturas craniofaciais
 
As cefaléias são significativamente mais prevalentes em indivíduos com DTM  (cerca de 27,4%) quanto ao grau de prevalência e severidade da dor população adulta em geral, a cefaléia associa-se a sintoma temporomandibulares, particularmente durante as crises dedor de cabeça Recentemente, verificou-se tendência a maior prevalência de DTM entre pacientes com cefaléia combinada, o que sugere que a presença de migrânea (enxaqueca) e de CTT seria um possível fator de risco para o desenvolvimento de DTM DTM esteve positivamente correlacionada com o grau de severidade e a frequência de crises de dor de cabeça
 
 
 
 
Fisiopatologia
 
A princípio, verificou-se que estímulos nociceptivos prolongados provenientes do tecido miofascial sensibilizam o sistema nervoso central podendo, assim, levar ao aumento da sensibilidade dolorosa.
 
Evidenciou-se, também, que pacientes com DTM apresentam sensibilidade aumentada, que parece mediada, em parte, por alterações do SNC no processamento da dor. Já a alteração qualitativa da nocicepção apresentada pelos pacientes com cefaléia do tipo tensional crônica seria consequência da sensibilização central, que ocorre ao nível do corno dorsal no núcleo do trato espinhal trigeminal, devido aos impulsos nociceptivos prolongados provenientes dos tecidos musculares pericranianos. A hiperexcitabilidade neuronal, aparentemente fenômeno chave de muitos, se não de todos, tipos de dor crônica, resultaria de alterações do sistema nervoso central capazes de afetar desde o nível dos receptores periféricos até os centros sensitivos mais altos do cérebro (córtex). Achados clínicos demonstraram a relação próxima entre a percepção dolorosa alterada e a cronicidade da cefaléia, capaz de ser explicada pela sensibilização central. O clínico que trata dor orofacial deveria ser capaz de entender o processo de sensibilização central por este estar intimamente relacionado à fisiopatologia das diversas condições de dores orofaciais. As consequências de um estímulo nocivo permanente seriam decorrentes não somente de variações sensoriais centrais, mas também de variações periféricas.
 
Além disso, resultados de pesquisas científicas suportam a hipótese da sensibilização periférica, em que estímulos nociceptivos prolongados, provenientes da periferia, resultariam em sensibilização central capaz de transformar dor episódica em dor crônica
 
Fatores adicionais capazes de favorecer o desencadeamento de DTM e de cefaléia secundária, tais como perda da dimensão vertical, presença de bruxismo ou apertamento diurno, alterações cervicais, dor miofascial generalizada, depressão, entre outros, deveriam ser reconhecidos e considerados pelos dentistas, fisioterapeutas e neurologistas. Se houver uma relação próxima entre esses profissionais, o diagnóstico e o gerenciamento terapêutico efetivo serão favorecidos. Adicionalmente, verificou-se estreita relação entre cefaléia e DTM, independentemente do tipo de cefaléia diagnosticada. O aumento da sensibilidade dolorosa apresentada por indivíduos com cefaléia ou com DTM sugeriu que essa variável não poderia ser utilizada como diagnóstico diferencial entre ambas as condições.
 
De acordo com a literatura, as cefaléias mostram-se duas vezes mais prevalentes em grupos com DTM quando comparados a grupos controle
Estudos confirmam achados anteriores de que a frequência de cefaléia é realmente maior entre os pacientes portadores de DTM quando comparados a um grupo controle, e isso requer novos estudos que enfoquem a relação entre DTM e cefaléias, particularmente no que se refere a etiologia, fisiopatologia e modelos terapêuticos.
 
 
 
Não há evidência de que DTM seja diretamente causadora de cefaléia. Fatores locais, sistêmicos, endócrinos e psicológicos podem influenciar seu desencadeamento. Maloclusão, estresse, tensão psicológica, hiperatividade muscular, postura anormal da cabeça e pescoço, pontos de gatilho cervicais e faciais e trauma local poderiam favorecer o aparecimento da DTM.
 
O descompasso de mediadores da dor, efeitos excitatórios centrais, deficiência no sistema antinociceptivo corporal e impulsos periféricos aumentados estão entre os principais mecanismos relacionados às cefaléias primárias, cujas fisiopatologias podem envolver mecanismos vasculares, musculares e neurogênicos. O papel do sistema músculo esquelético na fisiopatologia destas cefaléias ainda não foi esclarecido28, sendo importante relacioná-las ao sistema mastigatório para determinar uma possível associação com a DTM.
 
Alterações nas estruturas temporomandibulares podem causar cefaléias secundárias ao referirem dor para essa região. Essa interação está primariamente relacionada à anatomia e à inervação. O nervo trigêmeo é o conduto sensitivo tanto das cefaléias quanto das dores orofaciais e DTM. Sugere-se serem as cefaléias primárias e a DTM entidades distintas, porém atuando uma na outra como fator perpetuante/agravante.
 
Alterações do mecanismo inibitório central contribuem para a não regulação da dor proveniente dos músculos e de outras estruturas profundas. Isso contribui para o desenvolvimento e a manutenção das mialgias pela falta de inibição do sistema reticular ascendente, responsável por limitar as respostas do SNC aos impulsos somatosensoriais. Assim são explicadas as várias alterações crônicas, psicológicas, sensoriais, motoras, autonômicas e neuroendócrinas associadas à DTM. Tais fatos indicam que a presença de DTM dolorosa deve estar associada a alterações do SNC inibitório, que, por sua vez, favorece a atividade dos canais centrais de dor. Apesar disso, não se pode excluir a possibilidade de que a mialgia resulte da sensibilização generalizada dos nociceptores periféricos que inervam o tecido cutâneo e muscular.
 
·         Os dados levantados na literatura atual suportam uma estreita inter-relação entre cefaléias primárias e DTM
·         Sugere-se, ainda, que um problema afetaria o outro, atuando como fator predisponente, desencadeante ou agravante
·         Por serem frequentemente coexistentes, o conhecimento da sua inter-relação torna-se fundamental para a determinação de estratégias preventivas ou de tratamento da população
·         Fazem-se necessários, portanto, novos estudos para que a interação entre cefaléias e disfunção temporomandibular seja adequadamente quantificada e qualificada
 

A Fisioterapia Especializada, tem contribuído de forma excepcional, para a minimização dos sintomas álgico através de técnicas que promovem o relaxamento a musculatura em tensão, melhora da condição articular da ATM e condicionamento da musculatura mastigatória, melhorando a qualidade de vida do indivíduos acometidos por estes distúrbios

 

Dr. Antonio Viana C. Junior

 

Fisioterapeuta - Especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica

Especialista em osteopatia

Quiropraxia Clínica

 

Tratamento de Disfunções da ATM e Dores na Coluna Vertebral

 

CLINICA TOTUS - AV GODOFREDO MACIEL 4707

(85) 99955-7355 WHATSAPP





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